Luz verde para o regresso aos treinos no DESMOR

©JM | 18 maio 2020

Os aficionados do judo conhecem bem aquele pé direito que dispara rápida e insistentemente em direção à perna esquerda da adversária pressionando sistematicamente a estabilidade na sua postura defensiva. De Yahima também sabemos que tem segundas intenções com a forma lateralizada como organiza o seu judo em combate. Então preparámo-nos para subtilezas similares quando antecipámos a conversa com a judoca de origem cubana que nos acolheu, a distância, no seu apartamento em Rio Maior.

Estávamos profundamente enganados. Não se pode querer interlocutora mais direta e mais prática que a atleta que em 2018 disputou a medalha de bronze da categoria de -78kg no Europeu de Tel Aviv. Rapidamente fomos ao assunto das jornadas de confinamento, acompanhámos a descrição das ações de manutenção de forma física supervisionadas pelo seu treinador e, finalmente, Yahima confessou o massacre.

O massacre

“O meu filho mais velho foi autenticamente massacrado. Teve que ser parceiro à força das sessões de treino improvisadas nas condições que conhecemos. Uma área sem o espaço mínimo para praticar judo, a ausência de um tapete e o suor permanente que precisava de ser eliminado com banhos regulares. Não podíamos correr riscos e as regras de higiene definidas tinham que ser cumpridas”, recordou Yahima com os seus auscultadores a balancear de um lado para outro.

Uma família parcialmente confinada

Importa referir que apenas o mais jovem homem da casa, com 14 anos, permaneceu na sua residência enquanto que o marido e o filho mais velho mantiveram as suas ocupações profissionais forçando a medidas de controle apertadas no regresso a casa ao fim do dia.

Regressar ao tapete

Mas a situação vai mudar muito brevemente. O desconfinamento em curso no país vai também ter impacto na vida quotidiana de Yahmina Ramirez que já tem indicações sobre as mudanças que irão ocorrer nos próximos dias.

“Recebemos luz verde do Centro de Treino DESMOR e na próxima quinta-feira vamos ter uma nova realidade. Progressivamente vai ser organizada a reabertura do tapete de judo do clube, só para mim que sou atleta do projeto olímpico. Poderei ser acompanhada pelo meu treinador e por mais um praticante, no máximo dois.  Vai ser bom e importante começar a fazer um pouco de tapete”, informou Yahima.

Um papagaio que não se cala

No tapete haverá ainda equipamento complementar como uma máquina para tríceps, uma manga e um boneco de projeção.“Deixará de haver esta situação caricata que passa pela omnipresença cá em casa de um papagaio que repete sistematicamente tudo e mais alguma coisa que seja dito. Por outro lado, as hesitações que o meu filho mais novo apresenta, nesta fase de orientação vocacional sobre o seu futuro profissional, também deixarão de estar permanentemente a mobilizar as nossas atenções. O equilíbrio em alguns aspetos vai ser reposto para bem de todos”, vaticina a atleta de Rio Maior.

Auxílio médico cubano

Depois de ficarmos com mais pormenores sobre as formas de retoma das atividades desportivas que vão, pouco a pouco, acelerar em todo o país, conversámos ainda sobre as ações levadas a efeito por equipas de saúde, médicos e enfermeiros cubanos, que estão a participar em vários países no combate ao COVID-19. Yahmina que tem uma amiga cubana que conhece desde os 12 anos de idade, médica, destacada neste momento na Venezuela, considera louvável este tipo de iniciativa mas admitiu ter ficado preocupada com a cobertura de serviços de saúde no próprio país, não sabendo se aqueles que estão a sair para missões internacionais não irão fazer falta caso a pandemia se agrave na ilha.

Médicos preparados para o social

“Ontem um novo grupo de 590 profissionais de saúde cubanos foi para o México. A minha preocupação é também saber se há médicos que cheguem para tratar os cubanos. A saúde é uma área de ligação dos jovens estudantes de medicina à população. Na Faculdade de Medicina começam a realizar ações humanitárias junto das populações locais. Quando começam o curso, logo no segundo ano, desenvolvem tarefas sociais, nas ruas e nos centros de saúde” partilhou Yahmina alguma informação privilegiada sobre estas ações noticiadas pela imprensa internacional.

Regresso tranquilo aos treinos

Apesar das dificuldades que tem em perceber tudo o que está a acontecer no seu país de origem, Yahmina sabe que o pai e a mãe estão bem e que apesar de terem surgido alguns casos em Varadero a situação geral está controlada.

São informações tranquilizadoras que também ajudam num estado de espírito positivo no progressivo regresso aos treinos, que já tardavam. E o filho mais velho, a principal vítima dos treinos de apartamento, agradece.

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