Judo é partilhar!

@Judo Magazine | CR| 6 de junho 2020 |

Não é fácil sistematizar e estabilizar as referências teóricas, metodológicas, técnicas e organizativas que esta situação inesperada de pandemia está a provocar e a fazer emergir na vida e na dinâmica do judo como modalidade desportiva. As medidas de proteção mútua instituídas, com destaque para o confinamento e o distanciamento físico, atingem diretamente o núcleo central da prática da modalidade que exige contato e interação plena entre praticantes. Por isso dirigentes e treinadores procuram captar, das experiências em curso, pistas e caminhos complementares ou alternativos às formas tradicionais de organizar a prática da modalidade.

A sessão de formação que José M. Urrea orientou hoje dia 6 de junho 2020, apresentada como “Online Training – for Coaches – Judo for Youngs” decorreu em horários que os fusos horários diferenciaram e contou com participantes da Península Ibérica e da América Latina.

Grupos além-fronteiras

A própria base organizativa da jornada, que assentou num Grupo Internacional de Cooperação agregador de vários países como Uruguai, Espanha, Argentina, Brasil e Portugal, constitui per si um sinal de mudança nas fórmulas convencionais de promover e organizar iniciativas de formação.

Conhecimento em rede

A perceção que o conhecimento em rede será inevitavelmente uma das exigências para o desenvolvimento da modalidade está a ganhar terreno e a encontrar mecanismos de auto-organização que no futuro serão ainda mais dinâmicos.

Agir é preciso!

José M. Urrea realizou um enquadramento dos temas que foram desenvolvidos na sessão posicionando-se em duas ideias-força: a necessidade de agir (ficar parado pode trazer surpresas muito gravosas nos meses de Setembro e Outubro) e o imperativo da criatividade (algo que carateriza o judo como modalidade desportiva) que deve ser um recurso particularmente importante nos próximos tempos.

Avaliação deve ser exigente

Urrea realizou um percurso por várias propostas de trabalho com os mais jovens que suscitaram muito interesse e curiosidade e adiantou alguns elementos de avaliação e sistematização de experiências recentemente realizadas que revelaram um sentido autocrítico consistente e uma preocupação em desenvolver estratégias bem adaptadas aos interesses dos jovens participantes.

Errar é natural

Veja-se o caso dos trabalhos manuais com registo da produção realizada em vídeo ,que foi proposto por ocasião do Dia da Mãe, que não funcionou. Já a realização de exames para progressão nos cintos até azul, com apoio em vídeos, teve um grande sucesso e cerca de 80% dos praticantes aderiram.

Nem tudo funciona só porque é baseado em tecnologias da comunicação. Importa ir ao encontro daquilo que motiva efetivamente os jovens.

Competir de outra forma

Urrea fez referência às abordagens lúdicas e aos grandes eventos que assumem um caráter de festival. São importantes mas as atividades correntes não devem ter essa conotação. Devem ser organizadas e delimitadas áreas de trabalho individual nos dojos e criar recursos para dar sentido a ações que devem ter uma lógica de progressão sistemática e até de competição. Segundo José M. Urrea é possível lançar desafios aos praticantes que permanecem na sua área de funcionamento. Por exemplo aferir quem faz um exercício mais rápido, ou da forma mais bonita, ou da formma mais suave, etc. Competir de outra maneira tornou-se um imperativo na organização dos treinos.

Partilhar

Foram abordadas e respondidas diversas questões que os participantes colocaram e José M. Urrea relembrou que Judo é Partilhar por isso todas as dúvidas, mas também todos os materiais podem e devem circular para alimentar a pesquisa coletiva que está em curso.

A Judo Magazine participou na sessão online a convite da Associação Académica de Coimbra e da Associação 4Judo

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