ESTADOS-UNIDOS | Desportistas contra a violência policial

JM | 27-08-2020 | Inédito no desporto profissional dos Estados-Unidos o protesto contra a violência policial associada aos tiros contra Jacob Blake, o norte-americano negro que foi baleado pelas costas por sete vezes em Kenosha no estado de Wisconsin, teve por efeitos imediatos o boicote de jogos de basquetebol, de basebal e de ténis.

Foi como uma mancha de óleo que se expandiu rapidamente pelos diversos estados norte-americanos que teve por protagonistas iniciais os Milwaukee Bucks que boicotaram a partida da NBA na qual iriam participar. O jogadora de ténis Naomi Osaka seguiu o exemplo e foi também acompanhada por clubes de futebol americano e de basebal.

Adiamentos e boicotes

Os Brewers que estão localizados a uma meia-centena de quilómetros de Kenosha, aliás como os Bucks de Milwaukee, recusaram jogar contra Cincinnati et vários jogos da Liga MLB (basebal) foram adiados. Entretanto cinco dos 6 jogos agendados na MLS (Liga de futebol americano) foram boicotados pelos jogadores.

Naomi e as prioridades

Naomi Osaka afirmou neste contexto explosivo “Sendo uma atleta negra, considero que existem neste momento coisas bem mais importantes que ver-me a jogar ténis”. A jovem tenista de mãe japonesa e de pai haitiano tem vindo ultimamente a tomar posições públicas de forma particularmente acutilante contra a descriminação racial.

Foto: John Dominis/The LIFE Picture Collection via Getty Images

Recordemos que os protestos de desportistas de elite constituem uma das formas mais eficazes de tomada de posição e de denúncia de situações políticas e sociais relevantes e críticas. Relembremos os punhos erguidos de Smith e de Carlos nos Jogos Olímpicos em 1968 (punho erguido e símbolo do Black Power) e o mais recente protesto silencioso no pódio dos Jogos Pan-Americanos protagonizado pelo esgrimista americano Race Imboden que depois de conquistar duas medalhas (ouro e bronze), na entrega da medalha de ouro do florete por equipes masculino aproveitou a presença no pódio para fazer um protesto.

© foto Leonardo Fernandez/Getty Images

Fonte AFP e foto principal Imagem: Maddle Meyer/AFP

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