ALMA JUDOCA |Ter queda para a cidadania

JM | 29 setembro 2020 | Vladimir Putin é sem dúvida o mais famoso judoca a desempenhar funções institucionais no mundo . O Presidente da Russia é cinto negro de judo (8º DAN) e Presidente Honorário da Federação Internacional de Judo. Outros judocas conhecidos também assumiram responsabilidades políticas nos seus países. David Douillet o judoca francês que conquistou dois títulos olímpicos e quatro mundiais foi Ministro dos Desportos em 2011 e 2012. Ser eleito e ser membro ativo nos órgãos colegiais da democracia constitui um ato de cidadania e Ricardo Bexiga integra esse lote de cidadãos que dedica uma parte fundamental da sua vida à causa pública. E foi nessa condição que o entrevistámos sobre matérias que se relacionam diretamente com as suas funções.

JM – Como é que analisas a situação atual do desporto e dos desportos cujas limitações impostas pela DGS dificultam o pleno funcionamento das modalidades de “risco”?


A defesa da saúde pública tem hoje de prevalecer na definição das nossas prioridades. O impacto nas modalidades desportivas, seja na área da formação, seja na área das competições é brutal e obriga-nos a um esforço de adaptação e resiliência. Do ponto de vista individual do atleta, há que manter a disciplina de treino e a motivação. Os Clubes têm de ser apoiados pelo Estado no sentido de garantir a sua sobrevivência, até que esta crise epidémica esteja controlada e adaptar a sua gestão e estratégia à nova realidade.

JM – Que papel poderão ter as autarquias na resolução de problemas de funcionamento dos clubes e como podem ser encarados os serviços que o desporto presta numa situação de pandemia?


No quadro das suas competências, as autarquias têm um papel fundamental na promoção da atividade desportiva e no apoio às associações desportivas. Esse apoio deve manter-se e diversificar-se em função das novas necessidades criadas pelas regras impostas para a contenção da pandemia. E na realidade, genericamente, é isso que está a suceder em todo o país.

JM – Na ótica da gestão e dos modelos económicos vigentes que iniciativas poderão ser recomendadas aos clubes e aos seus dirigentes para enfrentarem atual fase de quebra significativa de receitas?


A palavra de ordem deve ser “Resistir”. Analisar as estruturas de custos para as racionalizar. Encarar este momento não só como uma ameaça, mas também como uma oportunidade para refletir sobre a sustentabilidade efetiva das nossas organizações, implementando mudanças essenciais para o novo futuro. E no futuro, os modelos atuais de gestão da realidade desportiva estarão completamente desatualizados!

JM – Seriam de admitir medidas de exceção, como acontece nas empresas e nas atividades culturais, que garantam que o tecido associativo e dos clubes desportivos mantenham a sua capacidade para cumprir a missão social que realizam?


Sem dúvida. E a meu ver, cabe às Federações desportivas apresentar aos poderes públicos um conjunto de medidas que constituam um pacote de apoio adaptado às necessidades específicas de cada modalidade. Medidas de natureza fiscal e de concessão de subsídios excecionais orientados para responder às necessidades essenciais dos Clubes.

Ricardo Bexiga – short CV
Advogado, Deputado da Assembleia da República na XIII Legislatura. Vereador nas Câmaras Municipais de Gondomar e da Maia. Presidente do Conselho Disciplinar da Federação Portuguesa de Judo. 1º DAN de Judo.

Ricardo Bexiga (à direita)


Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *