COMUNICAÇÃO | Comunicar localmente (2)

JM | 29 setembro 2020 | COMUNICAÇÃO | Estamos numa fase de retoma das atividades do judo nos clubes que exige um esforço suplementar de comunicação, por motivos vários. Fazendo um percurso rápido pelas questões que se colocam nesta matéria encontramos alguns tópicos que merecem ser aprofundados e, consequentemente, partilhados entre os profissionais da modalidade.

por Carlos Ribeiro, Coordenador Editorial da JUDO Magazine

Quais são as principais áreas de atuação dos clubes e do judo local nas quais se impõe uma comunicação forte e assertiva?

Desde logo o apelo à inscrição de novos praticantes porque estamos no início de época e, como sabemos, a maior parte das crianças e jovens tomam decisões sobre a sua prática desportiva neste período.

Outra razão, que surge como imperativa face à evolução da pandemia de COVID-19, radica na neutralização das desistências de todos aqueles e aquelas que, gostando de praticar judo, preferem esperar para ver. Ainda não estão convencidos que a modalidade venha a funcionar de forma interessante nos próximos tempos.

Uma terceira vertente deve ser considerada, nas tarefas de comunicação pelos clubes (e esta tem mais a ver com a estratégia de desenvolvimento do projeto da modalidade num determinado território) relaciona-se principalmente com a comunicação institucional.

Quanto ao primeiro domínio de reflexão e decisão que se prende com a captação de novos praticantes podemos adiantar algumas interrogações sobre as práticas existentes e, desta forma, suscitar eventuais abordagens alternativas à comunicação produzida.

Sobre a mensagem central a divulgar:

a) será que o apelo genérico à inscrição é adequado e suficiente?

  • vem praticar judo connosco
  • Inscreve-te estamos à tua espera

b) terá sentido associar ao apelo promessas que se tornam desmotivadoras para quem não controla os meios necessários para atingir os objetivos sugeridos?

  • vem ser o próximo campeão do mundo
  • nunca é tarde para te tornares um campeão

c) os princípios do judo enunciados como uma lista de benefícios, terão alguma interpretação esclarecedora por parte de quem os lê ou contacta visualmente com eles?

  • mais do que um desporto, connosco aprendes a dar sentido à tua vida
  • no judo aprendes a educar a mente e o a ser disciplinado

d) os benefícios promocionais, ou seja convidar a experimentar como se fosse um produto de supermercado é eficaz?

  • a primeira aula é grátis, vem experimentar e depois decides
  • inscreve-te já, não percas o teu lugar

e) a utilização de referências polisémicas que podem ter o efeito inverso do desejado deve ser aconselhada?

  • o judo como uma arte marcial (as representações dos filmes na TV e na Net sobre o tema)
  • a utilização das letras japonesas para indicar a palavra judo

f) a utilização de imagens sem hipóteses de descodificação por parte de quem as capta por desconhecer o universo em causa pode ser recomendada?

  • fotografias do dojo com uma aula a decorrer
  • a execução de uma técnica complicada de executar que surge como referência do que será a prática da modalidade

g) a presença forte de imagens dos campeões da modalidade e de vencedores com medalhas de ouro ao peito motiva ou provoca um primeiro sentimento de impotência face ao sucesso daqueles que já andam a pratica?

  • fotografias do Jorge Fonseca ou da Telma Monteiro
  • recortes de fotografias dos campeões locais
Estas são as interrogações. Num próximo desenvolvimento do tema iremos à procura de indicações úteis e positivas para a comunicação local.

Carlos Ribeiro

Coordenador Editorial da JUDO Magazine |

Cartaz do IPDJ

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