INTERNACIONAL | Afinal quem venceu Budapeste?

JUDO Magazine | 26 de outubro 2020 | Grand Slam de Budapeste | Para os hedonistas estruturais o vencedor foi a própria festa. A capital húngara foi palco de uma espécie de fogo de artifício antecipado, antes ainda da passagem de ano. O judo esteve de volta. Sem público, é verdade, sem aquele fervilhar das bancadas, mas com todo o resto a funcionar a 100%.

No pódio estão previstos quatro lugares. De forma simples vamos ocupá-los na ordem inversa da habitual subida à plataforma:

A medalha de ouro vai para Lisa ALLAN.

A responsável pelas competições da Federação Internacional de Judo, que nós entrevistámos na semana passada, viveu uns dias de grande pressão até ao final da jornada de ontem. No final da conversa que tivemos, Lisa pediu “Wish us luck!“, mas não foi a sorte que fez desta prova em solo húngaro o sucesso que foi. Lisa declarou na FIJ ” Chegámos ao termo deste fim de semana, exaustos mas felizes, foi um evento desafiador. Para ser sincera, todas as competições do IJF World Judo Tour são desafiadoras, nós fazemos o máximo para que tudo corra de forma perfeita e temos que nos adaptar a condições diferentes, umas das outras. A atual situação sanitária em todo o mundo complicou ainda mais as coisas e trabalhámos incansavelmente durante várias semanas para fazer do Grand Slam da Hungria um sucesso e foi. Posso afirmar, com toda a segurança, que tudo correu pelo melhor e queremos agradecer à Federação Húngara de Judo pelo seu árduo trabalho e excelente colaboração, tanto antes como durante o evento”.

Lisa Allan

O passaporte para provas similares está atribuído. Budapeste correu bem, nada justifica que as outras não venham a correr de forma idêntica.

A medalha de prata vai para a Russia

Conquistou 5 medalhas de ouro, quatro de prata e uma de bronze e várias outras posições de destaque. Na FIJ fala-se de Festival russo mas importa combinar a valorização da performance com um outro elemento de destaque, a impressionante participação da seleção feminina de judo francesa que continua a marcar pontos praticamente em todas as categorias de peso.

Mikhail IGOLNIKOV

A primeira medalha de bronze vai para o bronze nacional

Rodrigo Lopes, Bárbara Timo e Jorge Fonseca constituíram uma tripla de…ouro. Sem deixar de valorizar os excelentes desempenhos de Telma Monteiro e Rochele Nunes que conquistaram quintas posições muito valiosas, os três medalhados de Budapeste confirmaram a qualidade do judo nacional e venceram, cada um à sua maneira, obstáculos pessoais particularmente exigentes: Rodrigo Lopes o desafio do outsider numa prova muito forte na sua categoria; Bárbara Timo que recuperou de uma intervenção cirúgica muito recente e Jorge Fonseca que regressava aos palcos internacionais com a pesada tarefa de ostentar o estatuto de Campeão do Mundo da categoria de peso.

Bárbara Timo adiantou-nos com a motivação que a carateriza “Foi um dia muito difícil mas correu tudo bem, apesar de eu não estar no meu melhor. Sei que o meu judo ainda pode melhorar e vou certamente evoluir. O meu processo de recuperação foi complicado mas o Benfica deu todo o apoio, com fisioterapeutas e médicos a acompanharem-me. Só tenho que agradecer o que fizeram por mim”.

Bárbara Timo

A segunda medalha de bronze vai para Jorge Fernandes

O Presidente da FPJ teve a audácia de liderar este processo de preparação da seleção nacional de forma irrepreensível. António Saraiva, treinador nacional, adiantou à JUDO Magazine com convicção

António Saraiva avalia de forma positiva

“Ainda bem que começámos a treinar em junho. Se tivéssemos começado em setembro os resultados não teriam sido estes. A iniciativa de trazer a seleção do Brasil e de organizar os estágios com custos elevados, custos associados ao pagamento dos testes COVID-19 com valores superiores a 3000€/semana, foi uma aposta do Presidente Jorge Fernandes que deu certo. Contrariamente a opiniões que surgiram na ocasião ele decidiu avançar” e para finalizar António Saraiva valorizou o desempenho de todos os atletas dando nota que “mesmo a Telma e a Rochele, que não conquistaram medalhas, tiveram uma participação fortíssima”.

Jorge Fernandes

Se houvesse outro pódio, para destaques fotográficos nesta prova de regresso do World Judo Tour à ribalta, poderíamos ainda assinalar o abraço de Pedro Soares a Rodrigo Lopes depois da vitória no combate pela medalha de bronze. Fica o momento da alegria de vencer.

Fotos © IJF Photographs by Gabriela Sabau e FPJ

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