INSTITUIÇÕES | Quanto vale um atleta olímpico?

A Associação dos Atletas Olímpicos de Portugal vai a votos em meados de novembro.

JUDO Magazine | 30 de outubro 2020 | INSTITUIÇÕES | Entrevista a Luís Alves Monteiro candidato à Presidência da Direção da AAOP – Associação dos Atletas Olímpicos de Portugal | Para escrever sobre o tema há uma aprendizagem elementar relacionada com o ex. Que fique bem claro que não existem ex-atletas olímpicos. Se se foi, é-se para sempre. Clarificado o terreno de conversa o líder do projeto, que pretende suceder à respeitosa governação de Gentil Martins, adiantou-nos linhas de ação futura e fez-nos uma revelação: a AAOP vai batalhar para assentar arraiais no Jamor num espaço que venha a ser a sua futura sede nacional.

Quanto vale um atleta olímpico? No entendimento de alguns a resposta seria, não tem valor quantificável; um atleta olímpico, não tem lugar no mercado de valores, ele assume a condição de património imaterial de todo um povo e adquire por essa via um estatuto de super-herói. Apesar do Olimpo já não ser o que era, o atleta olímpico continua a ser  visto como um escolhido. Aquele que por ter ido à terra dos sonhos ficará para sempre no imaginário de todos.

Outro pentatlo

Luís Alves Monteiro tem uma teoria consistente sobre o valor do atleta olímpico. E por essa e por outras razões vai assumir uma candidatura à Presidência da Associação dos Atletas Olímpicos de Portugal no próximo ato eleitoral de meados de Novembro. Já não é principalmente o atleta baralhador do pentatlo moderno de Los Angeles, que tendo terminado em 42º lugar na geral, conquistou uma gloriosa 4ª posição no hipismo, que propõe dedicar-se de alma e coração a um projeto de mudança das orientações e metas da instituição que reúne neste momento uma parte significativa dos 670 atletas olímpicos vivos.

“Um lema que preside à minha visão do que deverá ser a ação da AAOP nos próximos anos é o seguinte: para os atletas, pelos atletas e para a sociedade”

É todo um programa de ação que pode ser associado a cada um dos três pilares enunciados sendo o objetivo central a valorização de todos aqueles que representaram Portugal na prova máxima do desporto mundial.

Base de dados

“A ideia-força, considera Luis Monteiro, e que deverá ser central na futura ação da AAOP, radica na gestão da Base de Dados. Trata-se de um valor inexplorado e cuja animação deve reverter em favor dos próprios atletas olímpicos”.

Esta nova gestão vai traduzir-se, na opinião do nosso interlocutor, em “ter uma boa organização dos dados biográficos e históricos dos atletas mas também, e sobretudo, uma divulgação das suas competências e do seu potencial atual, no plano desportivo e também nos outros, no profissional, no social e no cultural”.

Todo e qualquer atleta olímpico poderá assim usufruir de uma organização dinâmica da sua informação-base, o que constitui uma mais valia inestimável principalmente para o próprio.

Agenciar para rentabilizar

A AAOP, por sua vez, poderá a partir desse novo elemento exercer “uma função de agenciamento qualificado facultando, às empresas e a todas as entidades com interesse na mobilização das referências olímpicas para a sua comunicação, uma nova base organizada para as suas escolhas e as suas decisões nos domínios do marketing ou das relações públicas” completou Luís Alves Monteiro.

A estratégia neste plano adquire também uma dimensão financeira já que ” a intermediação nestes processos de partilha de valor servirá também para valorizar e tornar viável financeiramente uma associação que precisa de ter mais iniciativa e de se tornar imprescindível nos diversos campos do diálogo desportivo e olímpico”.

Servir os atletas e sociedade

O plano que nos foi apresentado no fundo visa um resultado estrutural: uma associação mais organizada e mais robusta porque, para além de servir os atletas olímpicos, servirá a comunidade e a sociedade portuguesa no seu todo.

As ações que a AAOP poderá conduzir em vários domínios de apoio a atletas que se encontram em situações sociais fragilizadas, em áreas de inclusão social e de intervenção no sistema educativo, são objetivos que fazem a ponte entre o espírito olímpico e o desenvolvimento sustentável, ou seja, um desenvolvimento que abarca a dimensão económica, ambiental e social, na qual o desporto se inscreve.

O que vai mudar de forma significativa? Perguntámos a Luís Alves Monteiro e o candidato a Presidente da Direção não hesitou em sistematizar de forma segura:

  • uma outra dinâmica da gestão que irá beneficiar da minha experiência de gestor de negócios em vários países do mundo e em contextos empresariais e culturais muito diversos;
  • mais apoios a partir das fontes do Estado e um trabalho afincado para um auto-financiamento consistente a partir das mais-valias da própria associação;
  • maior envolvimento dos atletas olímpicos na vida da associação e sobretudo na suas próprias intenções de serem mais ativos na sociedade portuguesa;
  • um apoio efetivo aos atletas que precisem da solidariedade dos seus pares organizando novos mecanismos de colaboração com aqueles que estão esquecidos ou até marginalizados;
  • uma nova relação dos atletas olímpicos com as comunidades portuguesas; somos 14 milhões e esse será o campo de atuação da AAOP;
  • uma equipa que estará organizada por pelouros e que funcionará na base de uma estrutura descentralizada; existirão os “champions” regionais que dinamizarão localmente as ações da associação:

 E por último a meta de uma sede autónoma para a associação cuja localização simbolicamente deveria ser no Jamor.

A equipa que Luís Alves Monteiro já agregou conta com a presença e o apoio, entre outros,  de atletas como Joana Pratas, Renato Santos Kobayashi, Roberto Durão, José Carvalho,  Rosa Mota, Nuno Merino, Paulo Frischknecht, Diana Gomes, Sandra Sarmento, Joana Castela, Orlando Ferreira e Miguel Arrobas.

Com esta eleições cessa funções o atual Presidente da Direção, Gentil Martins, que consensualmente merece da parte de todos um louvor muito especial.

Foto © de Luis Alves Monteiro e AA

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