IG VESTE JUDOGI |A partir do momento que fui mãe a disponibilidade diminuiu

JUDO MAGAZINE | 26 de novembro 2020 | A IG veste o judogi | Igualdade de género no judo | Liliana Rainho

Judoca há 31 anos e árbitra há 20, Liliana Rainho já fez um percurso assinalável nos vários recantos da modalidade tendo enfrentado os desafios da competição, da arbitragem e da orientação técnica de um clube de judo. Mas, a coragem que demonstrou no tatami ao longo dos tempos, também esteve presente quando decidiu, depois de 14 anos de aulas de judo como treinadora, dedicar-se prioritariamente à sua filha mais velha quando esta atingiu a idade de dois anos.

3º Dan, Liliana começou a arbitar provas da federação em janeiro de 2007. e é árbitro Elite. É consultora pedagógica/representante editorial na Lisboa editora há 12 anos.

A minha opinião, por Liliana Rainho

Acredito que já foi trilhado um longo (e positivo) caminho no que diz respeito à igualdade de género, não só no judo, como no desporto em geral. Acredito que o que ainda resta de desigualdade está na mentalidade de muitos, sobretudo no sector masculino (a mentalidade é o mais difícil de mudar e o que demora mais tempo).

Creio que há um passo que pode ser dado para incentivar a mudança desta mentalidade: as competições serem mistas, tal como acontece nos treinos (pelo menos nos de judo). Teria de haver um ajuste nas categorias de peso para uniformizar (uma vez que as categorias diferem de masculinos para femininas), desta forma – é minha convicção- a desigualdade ficaria mais próxima de ser ultrapassada.

Indumentária igual

No que respeita à indumentária do árbitro, sendo este tema o de igualdade  de género, considero que o fato de árbitro deve ser igual entre masculino e o feminino (tal como o judogi é), isso ajuda a que estejamos todos no mesmo patamar/nível.

No caso do judo português tem havido, nos últimos tempos, um aumento no número de árbitras, ainda assim somos poucas (em comparação com o sector masculino). A verdade é que a própria condição feminina muitas vezes limita não só á disponibilidade como as oportunidades. Como exemplo temos a maternidade. No meu caso, por exemplo, antes de ser mãe arbitrava praticamente todos os fins de semana (entre as provas nacionais e as associativas). A partir do momento que fui mãe a disponibilidade diminuiu e, por consequência, também as oportunidades.

Quanto a esse ponto não há muito a fazer em relação à igualdade. É uma questão de opção da própria pessoa.

Fotos © Liliana Rainho

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