IG VESTE JUDOGI | O que fazer?

JUDO MAGAZINE | 30 de novembro 2020 | A IG veste o judogi | Igualdade de género no judo

A interrogação O que fazer?, também título de livro e obra histórica, aplica-se neste contexto que nem uma luva. Atletas, treinadoras, árbitras, investigadores, estruturas dirigentes do judo apresentaram os seus testemunhos e pontos de vista na iniciativa a IG veste o Judogi.

O debate por certo irá continuar, mas pensar na ação futura nas organizações que estruturam a modalidade, torna-se absolutamente indispensável. É o que nos adianta a Filipa Cavalleri como porta-bandeira deste tema, mas também como treinadora e dinamizadora de projetos e clubes de judo.

Adotar boas práticas dentro da nossa organização desportiva

por Filipa Cavalleri*

A igualdade entre as mulheres e os homens corresponde às assimetrias entre umas e outros em todos os indicadores relativos à organização social, ao exercício de direitos e de responsabilidades, à sua autonomia individual e ao seu bem-estar.

Pressupõe um reconhecimento do igual valor social das mulheres e dos homens e do respetivo estatuto na própria sociedade.


Implica ainda, uma participação equilibrada de homens e mulheres em todas as esferas da vida, incluindo a desportiva, sem barreiras em relação ao sexo.


Atuar para conseguir a igualdade dentro  da nossa organização desportiva implica  compreender os problemas que limitam a participação das raparigas e eliminar todas as situações de discriminação e  de desigualdade.

Para tal, torna-se necessário, implementar um conjunto de boas práticas que promovam a igualdade de género, envolvendo todos os que  nelas participam (treinadores/treinadoras, professores/professoras, atletas, pais/família, dirigentes), no seu dia a dia, tendo como finalidade:

  • Respeitar, valorizar e desenvolver o potencial individual de raparigas e de rapazes na prática desportiva, através do estabelecimento de objetivos educativos e formativos, que contribuam para o seu desenvolvimento físico, motor, social e emocional, permitindo ainda o fomento de valores e atitudes que são cruciais para o seu desenvolvimento ;
  • A prática da modalidade tem de decorrer num ambiente positivo e inclusivo, permitindo nas diferentes atividades que as raparigas e rapazes tenham papéis de relevância que contribuam para o bem estar do grupo;
  • Encorajar a mudança de comportamentos, de atitudes e de crenças que se regem por estereótipos de género em função do sexo, através dos valores implícitos da própria modalidade, na organização e gestão dos grupos no decorrer das sessões de treino e ainda através de campanhas específicas que visem desenvolver esta temática;
  • Sensibilizar a população para a não discriminação em função do sexo, do género e da sua identidade de género, através de diversos meios, como  cartazes, postais, que transmitam valores não discriminatórios;
  • Utilização de uma linguagem inclusiva entre as raparigas e os rapazes, através de um discurso cuidado  dirigido a todos os que fazem parte da prática desportiva;
  • Promoção de ações de sensibilização, destinadas a raparigas e rapazes, que visem promover a prática da modalidade, através de campanhas específicas (podem ser acompanhas com vídeos promocionais que demonstrem imagens positivas de atletas em atividade, relacionado com o esforço, dedicação, derrota, vitória, entre outros… ;
  • Utilização de mulheres desportistas, treinadoras, arbitras, dirigentes  como modelos de referência para as raparigas e para os rapazes, através de palestras, ações práticas, tendo em vista que as gerações mais novas conheçam os modelos de referência da sua modalidade e que compreendam o seu percurso nas diferentes áreas, tornando-se modelos de referência para todos;
  • Promoção e divulgação com os meios de comunicação, utilizando as ferramentas que estão disponíveis para realçar o trabalho desenvolvido  com as raparigas e rapazes inerentes à prática desportiva;
  • Estabelecimento de parcerias com entidades ao nível do concelho, distrito e nacional, para junto da comunidade educativa (escolas) dar a conhecer o trabalho desenvolvido dentro da nossa organização.

Neste sentido, pretendemos com estas medidas, assumir o compromisso de contribuir ativamente para uma melhoria dos indicadores de género na nossa organização e para a progressiva superação das desigualdades existentes no mundo desportivo.

Cabe a cada um de nós ser um exemplo dentro e fora da nossa organização!

Filipa Cavalleri

Treinadora Grau III e responsável técnica da Escola de Judo, A Turma dos Judokinhas – 6º Dan | Licenciada em Ciências do Desporto pela FMH 2002, Mestrado em Ciências da Educação pela FMH em 2016.

Fotos © Filipa Cavalleri

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *