A igualdade de género nas dunas do deserto

JUDO MAGAZINE | 14 de março 2021 | Webinar da Turma dos Judokinhas

Podemos afirmar que o tema da igualdade de género andou em altas velocidades depois de Elisabete Jacinto ter levado os participantes no Webinar de ontem à tarde errar pelas dunas do deserto nas suas reflexões sobre o tema do encontro.

Não seria de esperar outra coisa da enérgica e sempre surpreendente piloto de todo o terreno que desde 1998 ataca provas internacionais com o seu camião, com destaque para o Dakar.

Aqui vai uma amostra, por sinal numa vitória no Africa Eco Race (2019).

Elisabete revelou-nos que a sua relação com a Equipa que a acompanha nas provas foi evoluindo ao longo dos tempos. Numa primeira fase não considerou como determinante assumir uma posição de liderança e o seu relacionamento baseava-se numa abordagem espontânea e paritária. Foi uma situação de desentendimento total entre os seus colegas homens para retirarem o camião de uma situação de paralisação que lhe revelou a necessidade imperiosa de, para além de conduzir o camião, conduzir também a equipa. Como ela afirmou em tom de brincadeira “nunca me tinha passado pela cabeça mandar nos homens”.

Liderar é preciso

Uma das revelações da piloto campeã foi que teve que recorrer aos livros e a muitas leituras para definir uma modo de agir adequado e fazer face à agressividade relativa dos homens quando estão em situação de conflito ou desavença.

Afinal, como Elisabete afirmou “os homens também têm medo, só que conseguem camuflar melhor que as mulheres essas emoções”.

A experiente desportista defende que as equipas devam ser mistas e que se ganha com a complementaridade entre homens e mulheres. Estas, por sua vez, não devem hesitar em assumir posições de liderança porque esta nova condição acaba por beneficiar todos e não apenas quem passa a liderar.

Filipa Cavalleri, neste encontro sobre a igualdade de género no desporto, reafirmou a mensagem que tem vindo a disseminar no sentido de uma maior valorização das mulheres nas diversas áreas de atuação da prática desportiva (dirigentes , treinadoras, árbitras, entre outras) e relembrou que no período da sua fase de competidora não existia uma discriminação concreta em relação às atletas femininas, mas existiam hábitos de hipervalorização das vitórias masculinas que guiavam comportamentos nas provas, por exemplo, da seleção.

Valorizar é preciso

Filipa recordou que no Campeonato do Mundo de 1995, quando conquistou a primeira medalha portuguesa nesta competição, a equipa masculina sentiu-se obrigada a vir felicitá-la, mas essa não era a norma vigente até então.

Da mesma forma que a atribuição do 6º DAN a uma mulher constituiu uma surpresa quando ocorreu em 2016, 20 anos depois de ter atingido a graduação de 5º DAN. Para Filipa Cavalleri foi uma valorização antes de mais das iniciativas que levaram as mulheres a encontros anuais no tapete, na ocasião foram 150 atletas femininas que se juntaram e que reafirmaram a excelente relação que existe entre as diversas gerações do judo praticado por mulheres.

Elisabete Jacinto e Filipa Cavalleri são ambas membros da Comissão Mulheres e Desporto do Comité Olímpico que tem dinamizado várias ações visando uma maior participação das mulheres nas posições de responsabilidade do desporto nacional.

Na foto, Filipa Cavalleri, Elisabete Jacinto, Catarina Rodrigues, Ana Vital de Melo, Monica Jorge, Juliana Sousa. Comissão Mulheres e Desporto do Comité Olímpico de Portugal.

Na foto de destaque 3 mulheres, 3 atletas olímpicas: Filipa Cavalleri, Joana Pratas e Diana Gomes (judo, vela e natação).

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