Dois dias de Budapeste

BUDAPESTE 2021 | Campeonatos do Mundo Seniores

O que está marcar os Mundiais de Budapeste, para a alegria de uns e o descontentamento de outros, sendo legítima a interrogação sobre o significado da amostra dos dias iniciais já que cinco jornadas outras estão para vir, é o domínio nipónico.

O cenário competitivo dos dois diais inaugurais coloca os japoneses na linha da frente, reafirma as dificuldades dos franceses em provas similares, destaca os espanhóis na luta pelas medalhas do lado europeu e confirma a ausência do continente americano na linha da frente da prova.

Abdulaze Yago

Abuladze Yago (Federação Russa de Judo), o novo campeão do mundo em -60kg foi surpresa mas justificou uma medalha de ouro com uma receita simples “de qualquer coisa se faz um wazari”.

Nesta categoria de peso Rodrigo Lopes teve um desempenho combativo, eliminou com muita segurança o seu primeiro adversário de Hong-Kong, Leung Hon Man mas não conseguiu ultrapassar o atleta germânico Plafky Moritz que o derrotou com uma chave muito bem executada.

Tsunoda e Koga

Em -48kg femininos a medalha de ouro foi disputada entre as duas japonesas presentes no Mundial dando nota de uma clara supremacia nipónica nesta categoria de peso. Tsunoda venceu Koga e sagrou-se campeã do mundo.

Catarina Costa teve um desempenho que ela própria classificou aquém das suas possibilidades “O Campeonato do Mundo acabou para mim e saio um pouco desiludida, porque sei que o meu valor e as minhas capacidades davam para mais. Ainda assim, saio também de consciência tranquila porque dei tudo o que tinha no tapete e procurei sempre a vantagem. No último combate fiquei desde cedo tapada pelos castigos e não podia errar. Tinha de atacar pela certa e pontuar, foi o que procurei fazer, mas faltou a eficácia nos ataques. Isto foi algo que não treinámos porque o foco são os Jogos Olímpicos. Nesta fase procurámos fazer muito volume de ‘randori’ e muita carga de treino. Claro que fico triste por ser afastada de uma competição como o Campeonato do Mundo e porque sei que podia ter chegado mais longe e que o meu valor não é este. Num ano normal, sem Jogos Olímpicos, estaria melhor preparada, mas como disse, o meu foco não era esta competição. Ainda assim fiz dois combates e há coisas a tirar deles, aspetos por trabalhar e coisas que correram bem que são para manter. Agora o foco é a cem por cento nos ‘Jogos’, todo o treino vai ser direcionado nesse sentido e continuar a trabalhar bem, como sei que tenho feito.”

Maria Siderot venceu bem a sua adversária marroquina que terminou em 5º lugar no derradeira Campeonato Africano de judo, com muita agilidade e rapidez de execução mas a adversária seguinte a francesa Shirine Boukli, campeã da Europa em 2020 era claramente mais difícil para a atleta lusa. Na verdade foi Maria Siderot que perdeu o combate contra a gaulesa que nunca chegou a colocar a atleta portuguesa em perigo. Três penalizações por erros técnicos terão sido demais para uma competidora muito talentosa como é o caso de Maria de Siderot. É registo de falta de experiência mas também de grande potencial. Perder neste caso sem ser derrotada tem sabor amargo.

Joshiro Maruyama

O Campeão do Mundo 2021 -66kgs é Joshiro Maruyama. Um executante genial de ashi-uchi-mata que não teve opositores até chegar à final contra Lombardo, um italiano que olha de frente os adversários e que tem judo para dar e vender.

Como passar de uchi-gari alto para ashi-uchi-mata e pontuar sobre um Lombardo super preparado para uma resposta flexível das pernas aquando do ataque do nipónico? Maruyama tanto procurou que encontrou.

Shishime Ai

Na categoria feminina da segunda jornada de -52kgs o Japão foi também soberano. A vencedora Shishime derrotou a espanhola Perez Box na final e conquistou mais uma medalha para o Japão. Shishime esteve no percurso de Joana Ramos que só cedeu depois de 5 minutos de combate.

Joana Ramos teve um percurso de grande qualidade. Uma lutadora com muita convicção nas suas capacidades. Na disputa da medalha de bronze, num combate que dominou, fica sempre este amargo na boca de uma terceira penalização. A FIJ relata a situação nos seguintes termos “Com apenas um shido cada uma, RAMOS e KOCHER alcançaram o período de ouro – Golden Score-, onde tudo ainda era possível, mas RAMOS foi penalizada logo no início com um segundo shido e depois um terceiro, quando bloqueou a seu opositora debaixo da zona do cinto, o que é proibido. Este terceiro shido foi sinónimo de vitória para Fabienne KOCHER, que deu um longo e verdadeiro abraço a RAMOS, antes de sair do tatami para depois cair nos braços de seu treinador.”

Na mesma categoria de peso Joana Diogo, no seu primeiro combate, chegou a pontuar wazari contra a sua adversária mexicana que acabou por igualar a pontuação e levar o combate para o Golden Score, Nesta fase a mexicana impôs-se à atleta portuguesa com um segundo wazari e Joana Diogo terminou aqui a sua prestação.

João Crisóstomo em -66kgs enfrentou o francês Le Blouch no primeiro combate e não conseguiu ultrapassar o gaulês que foi repescado mas não entrou na disputa da medalha de bronze.

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