Irmãos Coragem

VÊM AÍ OS JOGOS | TÓQUIO 2020 – Entrevista a Patrícia e Igor Sampaio por Ana Madureira

Patricia Sampaio antes ainda de viajar para Tóquio conversou com a Ana Madureira. Ela e o seu irmão Igor concederam uma entrevista à responsável pela comunicação da AJDS-Associação de Judo do Distrito de Santarém. Combinei com a Ana comentar a entrevista na Judo Magazine, mas acabei por deixar à entrevista o que é da entrevista e optei por tentar perceber como é que uma dupla tão jovem e tão luminosa está a fazer escola no judo nacional. Aprende-se muito fora dos grandes centros porque os territórios de aprendizagem são não-hierárquicos e baseiam-se nas dinâmicas específicas da cultura local.

Nos Irmãos Coragem o João encontrou um enorme diamante em Coroado. Não é aqui o caso, nem o protagonista que se chama Igor nem a localidade que é Tomar, mas o diamante é real. Enorme e de valor inestimável. Chama-se Patrícia Sampaio.

Igor e Patrícia Sampaio

Igor, o Templário

Percebe-se rapidamente que Igor é um designer que capta, na complexidade, os traços mágicos com que desenha a sua peça final. Um designer da incerteza. No fundo a consciência de que a obra sempre inacabada é o motor dos processos de desenvolvimento e baseia-se numa relação sempre paradoxal do equilíbrio-desequilíbrio. Como no judo onde a queda é apenas a reposição do equilíbrio momentaneamente rompido pela projeção. Quando existe um clamor generalizado sobre a meta que são os Jogos Olímpicos, Igor fala-nos de nova partida. E neste olhar descortinamos um espírito oculto de navegador que está presente. Ou talvez de um Templário, sem as rotas mercenárias do passado.

Patrícia e as raízes

Patrícia segura o coração com as duas mãos quando fala. Não vá ele irromper peito fora. As raízes que evoca para se reerguer das lesões são principalmente metafóricas, no fundo a seiva que lhe correu nas veias nos momentos críticos que a forçaram a uma paragem prolongada, pode ter incorporado ingredientes de que só os herdeiros de Gualdim Pais e do Convento de Cristo podem reclamar.

O clube e os modelos

Para Igor, que veste azul e vermelho há 25 anos, o clube são as pessoas e nesta medida a referência à casa de todos os judocas de Tomar como espaço de acolhimento e de afetividade faz da Associação Gualdim Pais um ponto de encontro incontornável. E para Patrícia Sampaio também. Os ciclos de preparação e os seus treinos inserem-se numa estratégia de adaptação ao contexto académico e pessoal da atleta olímpica e nessa programação há sempre lugar para o clube local.

Não quero que os jovens pensem ser como eu e projectarem-se como clones de realidades irreproduzíveis. Devem ser eles próprios com pessoas referência a apoiar a sua progressão. Nisso eu posso ser um apoio na ótica do role model. Esta é a visão que Patricia e Igor partilham. E é bom que assim seja!

LER a ENTREVISTA conduzida por Ana Madureira.

A entrevista foi publicada no espaço de informação da AJDS – Associação de Judo do Distrito de Santarém

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