De A a Z, os Jogos revisitados

OS JOGOS NO DIA-A-DIA | Tóquio 2020

Ainda corre a esperança de outras posições cimeiras para Portugal para além de Jorge Fonseca (bronze no judo, categoria -100kg), Patrícia Mamona (prata no triplo salto feminino) e Fernando Pimenta (bronze no K1 1000m masculinos) mas já podemos tecer algumas considerações genéricas sobre os Jogos Olímpicos de Tóquio 2020 e principalmente sobre o judo neste evento global realizado em tempos de pandemia.

Abe Day!

Para a história dos Jogos Olímpicos e do judo internacional fica o registo absolutamente inédito da conquista de duas medalhas de ouro para o Japão, em judo, através de dois irmãos ABE, ela Uta em -52kg e ele Hifumi em -66kg.

Biles, alerta!

A saúde mental em primeiro lugar! A ginasta americana, considerada a melhor do mundo, veio a terreiro colocar questões relacionadas com a saúde mental dos desportistas de alta competição e de alguma forma veio ainda exigir um direito elementar de “ser humana, ser uma pessoa” que, tudo indica o sistema competitivo do alto rendimento não o permite. Assunto a acompanhar, em nome do desporto e do desenvolvimento humano!

Catarina Costa em 5º lugar

Catarina lutou muito e ficou perto do pódio. Um percurso incrível: Aisha Gurbanli; Li Yanan; Daria Bilodid; Paula Pareto e Mönkhbatyn Urantsetseg. Um 5º lugar inesquecível.

Direção

Neil Adams deu nota nos seus comentários formativos e esclarecedores que em muitas situações de vitória, mais ou menos surpreendente, a mudança repentina e adequada de direção no ataque ou no contra levou atletas a pontuarem de forma categórica. O Judo com uma geometria mais variável e com abordagens criativas na conquista do espaço para a projeção e para o controlo do adversário.

Egutidze, Anri

Anri tinha fortes expectativas nesta participação olímpica tendo em conta o recente Mundial de Budapeste que o colocou ao nível dos melhores atletas mundiais dos -81kg. Recordemos que Muki foi um dos vencidos naquela prova e que o lugar no pódio duramente conquistado foi totalmente merecido.

Fica a compensação pelo fato do opositor austríaco que o eliminou ter sido a grande surpresa da categoria de peso e ter confirmado um valor competitivo inicialmente pouco previsível.

França

Os “bleus” venceram sem apelo nem agravo por 4-1 uma equipa japonesa que se apresentou com um excesso de auto-confiança e que subestimou a capacidade dos gauleses de realizarem feitos excecionais em situações invulgares. A primeira prova de Equipas Mistas nos Jogos Olímpicos foi um sucesso com uma fórmula bem estudada. Certamente irá fazer história por vir a influenciar a evolução da modalidade num sentido ainda mais coletivo e mais impulsionador da igualdade de género.

Geórgia

A Geórgia, a par da França, conquistou 3 medalhas de prata e arrecadou, de igual modo, uma de ouro. Surge assim como uma potência do judo global ocupando uma posição cimeira que entretanto os russos deixaram de ocupar (o ROC- Comité Olímpico Russo ocupou o 13º lugar no medalheiro final).

Hormigo, Ana

A única atleta que atingiu lugares cimeiros na prova feminina foi orientada no banco pelo seu treinador, Catarina Costa e João Neto, enquanto que as restantes participações que Ana Hormigo orientou e preparou a partir de Coimbra e não só, não correram tão bem. Uns jogos Olímpicos que a treinadora nacional desejaria ter vivido com outros resultados.

IJF Refugee Team

Sanda Aldass, judoca síria de 31 anos que competiu pela Equipa Olímpica de Refugiados na categoria de -57kg foi eliminada no primeiro combate da prova contra Marica Perisic da Sérbia. Ficou a experiência e a valorização de uma judocas que não desistiu apesar das contrariedades e de um percurso dramático como refugiada agora a viver em Amsterdão.

Jorge Fonseca

A medalha de bronze de Jorge Fonseca surge como um feito assinalável para o próprio atleta e para o judo nacional. A terceira medalha de bronze da modalidade depois de Nuno Delgado ter conquistado idêntica posição em Sydney e Telma Monteiro, também o bronze, no Rio de Janeiro.

Kosovo

O pequeno país dos Balcãs cuja definição identitária e institucional encontra-se ainda num terreno de indefinição ou pelo menos em processo de conflito (recorde-se que o Kosovo não é reconhecido pelas Nações Unidas e também por 5 Estados membros da União Europeia – Espanha, Roménia, Chipre, Grécia e Eslováquia) conquistou duas medalhas de ouro e uma 7ª posição que o colocou no segundo lugar na geral, logo a seguir ao Japão.

Lukas Krpalek

O checo foi imparável nos +de 100kg e alcançou uma meta pouco comum: ser campeão olímpico em duas categorias de peso diferentes.

Monteiro, Telma

Telma não conseguiu atingir o resultado conquistado no Rio de Janeiro, a medalha de bronze, mas demonstrou no seu segundo combate, que acabou por perder, depois de um interminável Golden Score, uma grande capacidade de resistência e de visão tática que a valorizam como atleta sem falhas no que diz respeito à combatividade.

Nunes, Rochele

Rochele pode alegar injustiça no desfecho do seu combate contra Ortiz e todos compreendem porque esteve à beira do feito histórico de ultrapassar a atleta cubana. Mas a experiência da vice-campeã olímpica permitiu-lhe na reta final do combate mostrar uma superioridade que afastou a luso-brasileira da rota das medalhas.

Ouro

A partilha, entre o italiano GianmarcoTamberi, de 29 anos e o qatariano Mutaz Essa Barshim, de 30, da medalha de ouro depois de terem ultrapassado os 2,37 nas mesmas condições e terem ambos falhado o ataque ao recorde olímpico, constitui o momento mais forte do espírito olímpico destes jogos.

Pedro Soares

O treinador nacional cujo papel foi destacado no último Mundial ao ponto de ter sido considerado por Carlos Ramos a figura do Campeonato do Mundo de Budapeste e por Tiago Silva como um dos melhores treinadores do mundo da atualidade, confirmou a sua importância no acompanhamento a Jorge Fonseca nos momentos decisivos da prova que o levaram a conquistar o bronze.

Q

Ramos, Joana

Joana Ramos não conseguiu atingir os seus objetivos nesta participação olímpica e um pouco como Anri Egutidze, o Mundial de Budapeste não teve confirmação em Tóquio. Tratou-se de uma despedida da arena olímpica e eventualmente da competição neste quadro do alto rendimento. Uma coisa é certa, Joana provoca em todas as suas opositoras na sua categoria de peso de -52kg um grande sentimento de respeito e de admiração pela atleta que ela é. E com mil razões para isso.

Sampaio, Patrícia

A garra e a combatividade, quase sem limites, não foram suficientes para ultrapassar Wagner a germânica experiente e calculista que procurou contrariar o judo de Patrícia Sampaio sem arriscar. Anna maria Wagner acabou por conquistar uma medalha de bronze numa categoria de peso cuja medalha de ouro foi para Hamada do Japão.

Timo, Bárbara

Bárbara Timo, que no primeiro combate deu mostras de alguma passividade ou até dificuldade em assumir a liderança da situação, acabou por vencer essa primeira fase, mas a sua abordagem foi insuficiente na confrontação seguinte com a croata Matic que terminaria a prova no pódio.

Uchi Mata

Uns Jogos Olímpicos com escassez evidente de uma técnica que marca um judo de ataque e que provoca, tendencialmente, quedas aparatosas. Ono e Yoshida são mestres nesta arte e ainda foi possível saborear nos combates mais acessíveis uma utilização sistemática da técnica, muitas vezes em versão ashi-uchi-mata.

Varlam LIPARTELIANI

O nº 1 do ranking mundial não conseguiu melhor posição que o quinto lugar tendo perdido na disputa do bronze com o russo Iliasov. Uma medalha que a Geórgia considerava adquirida mas que não se concretizou.

Wolf

Wolf (JPN) que conquistou a medalha de ouro em -100kg teve a tarefa espinhosa de combater contra Tierry Riner na prova de equipas Mistas que opôs a França ao Japão. Um combate que o japonês acabou por perder depois de uma resistência e até tentativas de ataque bem perigosos que o gigante Riner sobre contrariar.

Xu Shiyan

Xu foi a única atleta da República Popular da China a constar até à 7ª posição (foi 5ª em +78kg) sendo pois a exceção num desempenho fraco por parte do país asiático que entretanto domina a classificação geral nos Jogos Olímpicos de Tóquio 2020.

Yosh Uchida, regresso a Tóquio

Treinador da seleção americana de judo em 1964, quando o judo foi modalidade de demonstração, Yosh Uchida aos 101 anos esteve presente em Tóquio 2020 e ainda deu apoio à seleção americana com a sua sabedoria secular.

Zero

Nas medidas de segurança face à pandemia de COVID-19 a tolerância foi e permanece Zero, sendo no entanto de registar vários casos de atletas contaminados.

De salientar que a oposição aos Jogos tem uma expressão forte na opinião pública da capital do Japão e que foram realizadas manifestações nesse sentido aquando da Cerimónia de Abertura.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *