RESCALDO TÓQUIO 2020 | E agora?

Em Tóquio a chama olímpica apagou-se e as despedidas foram de circunstância. Todos contribuíram para um sorriso coletivo de felicidade, mais ou menos sentida, mas uma coisa é certa: não era nada evidente que a aposta da realização dos Jogos Olímpicos em plena pandemia pudesse ser ganha e que os 16 dias de provas tivessem um desfecho desportivo tão positivo. Um obrigado Tóquio, impõe-se.

Muito haverá a dizer e a debater sobre aspetos específicos de cada uma das modalidades e sobre o campo da organização. Também no domínio da gestão das tensões que também ocorreram, a maior parte das vezes, fora do alcance das câmaras e das transmissões dos operadores acreditados.

Mas nesta ocasião devemos respeitar a tradição e declarar: O Rei morreu! Viva o Rei!

Cidade das luzes

E aí está Paris com a sua bateria de informação, comunicação. marketing, promoção, enfim com a sua afirmação de capacidade e de poder que, com estes contornos, só os franceses conseguem fazer.

Levar o torneio equestre para o Castelo de Versalhes e realizar as provas de Esgrima no Grand Palais são um sinal de inovação mas também uma declaração da França napoleónica que pretende afirmar a sua grandeza e justificar uma co-liderança europeia por vezes titubeante.

O Judo terá o seu palco em Bercy, um espaço bem conhecido dos amantes da modalidade por nele decorrer uma das provas mais importantes do IJF World Tour o Paris Grand Slam.

Despedida de Tóquio

A crise sanitária forçou a uma estratégia de comunicação focada nos atletas, valorizando a sua participação e também o esforço coletivo que foi realizado para levar a bom porto os Jogos Olímpicos. Sabemos que se não fosse a imperiosa necessidade dos competidores deste nível global serem colocados à prova e fecharem um ciclo de preparação, focado neste objetivo fundamental, eventualmente as pressões para a não concretização do evento poderiam ter tido maior sucesso.

Jogos sem público. Atletas e outros protagonistas em bolha sanitária. Ordens de abandono da cidade dois dias depois de terminarem as participações desportivas. Desistências à última hora, impedimento de participações por contaminação. Situações de stress agudas nos atletas, muitas lágrimas, nem sempre só de alegrai, mas também por motivos de conclusão de um ciclo marcado pelos nervos à flor da pele. Nem tudo foram rosas em Tóquio 2020.

O Presidente do COI, a responsável japonesa pelo JO e atletas a representar os 5 continentes e os refugiados

As boas recordações

De Tóquio 2020 ficarão certamente muitos bons momentos, vitórias inesquecíveis, desempenhos extraordinários e um sentimento de revalorização do espírito olímpico. Estes Jogos terão sido os Jogos da Esperança. A sua realização constituiu um sinal positivo, uma mensagem que reafirma que no meio da adversidade e do risco coletivo a comunidade internacional consegue encontrar os elementos essenciais para se unir.

Duzentas e cinco bandeiras acrescidas do estandarte do COI, que deu cobertura à Equipa de Refugiados, deram um sentido forte de diversidade e de interculturalidade numa significativa valorização dos territórios e dos atletas em detrimento das nações na sua leitura restrita em bases mais ou menos nacionalistas.

Uma marca de Tóquio 2020: a promoção da igualdade de género através das Equipas Mistas e da presença de um número recorde de atletas mulheres, ironia do destino porque foi um tema crítico que levou a demissão forçada do primeiro Presidente dos Jogos, Yoshiro Mori, em Fevereiro passado.

Fonte Imagens Eurosport

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