Clinic foi razão e emoção!

AGENDA | Associação Nacional de Treinadores de Judo | XXV Clinic

À partida ninguém sabia muito bem o que iria pesar mais no cômputo geral quando o Clinic fechasse as portas do Pavilhão Desportivo da Escola Básica da Gafanha da Nazaré este domingo dia 5 de setembro; se a emoção do reencontro com tantos companheiros de profissão, com a mesma paixão pelo judo, se as aprendizagens relativas ao aliciante tema que o formador Roberto Naveira se propôs tratar no quadro da iniciativa de topo que a ANTJ promove anualmente.

Bianca Sousa, treinadora de judo em território aveirense, no qual aliás o evento ocorreu com o apoio da Associação Distrital, desfez rapidamente as dúvidas ao confessar-nos “Este sábado acordei pela primeira vez, desde há muito tempo, com aquela sensação boa, de sono ainda presente! Finalmente isto vai arrancar! Quem irei reencontrar? Naquele preciso momento, tive a consciência das saudades, muitas saudades, de muitas pessoas. Sabia que iria estar presente um treinador de Ponta Delgada que já não via há mais 12 ou 13 anos, estava ansiosa para estar com ele.

Vamos lá!”

Do Clinic para Paris

“Fui apanhar uma das nossas atletas e em viagem para o pavilhão da Gafanha da Nazaré, íamos a desfrutar a vista maravilhosa de Aveiro em direção às praias, quando recordei que foi através da participação num Clinic, em Coimbra, que tive acesso a uma viagem ao Grand SLAM de Paris em 2006, salvo erro, por ter ficado em segundo lugar no sorteio”

Bianca Sousa

O sorteio, o treinador e o Grand Slam

“Mas atenção! Só o 1º lugar era premiado com a viagem. No momento que sortearam o meu nome a minha felicidade foi espontânea, mesmo sabendo que não tinha ganho a viagem.

Mas o assunto não ficou por ali. Fui desafiada por alguns treinadores a ir falar com o vencedor e dizer que se ele não quisesse ir para me ligar, que eu iria. E assim foi! O treinador vencedor, para além de ter desfrutado da viagem, também me levou ao torneio com tudo pago, que sorte tive, ahh!! Uma experiência que nunca irei esquecer!

Emoções à entrada

Chegamos ao pavilhão, entrada, teste Covid, superorganizado, nem tive tempo para pensar! Sou surpreendida com um lenço de papel na mão mais um sorriso gigante. Ordem, senta-te! Ao que pergunto?! Irei-me emocionar assim tão facilmente?! A resposta foi tão rápida, tanto quanto a utilização do lenço!

Obrigada colega, pela agilidade e rapidez das tuas mãos!

E aqui vamos nós, o cheirinho dos nossos tatamis na entrada do pavilhão, desse momento em diante o aconchego típico do regresso a casa a brotar…os primeiros abraços, os sorrisos, as primeiras brincadeiras mal se entrou no tatami, mesmo com os judocas que temos menos contado a vontade de aproximação, a felicidade de estarmos juntos no Dojo preparado apenas para aquele fim de semana, não sendo a nossa sala de treino fixa, é sempre a nossa zona de conforto.

Com portunhol nos entendemos

Roberto Naveira, o formador, e como estou agradecida.  Começou logo por quebrar o gelo com a tentativa de falar e muito bem o “portunhol”. 

Desde de início conseguiu estar bem próximo de nós, não se limitou a passar conteúdos, ele mostrou-nos o caminho de forma organizada e bem simplificada; facilmente conseguimos trabalhar com os nossos atletas de diferentes escalões com a partilha de Roberto. 

“Têm que anotar, têm que anotar, na livreta, onde quiserem, mas têm que anotar para não esquecer, ir lá, ir relembrar o que fazer.” 

Relembrou-nos durante estes dois dias a importância de anotarmos as coisas. O que fazer, como fazer, a sequências, os circuitos, sermos autocríticos, mas também curiosos, tentarmos perceber se estamos na mesma linha de pensamento de outros colegas, perguntar sem vergonha e ganhar o poder da partilha.

Temos que fazer um randori

Hora de recarregar baterias, Hotel Meliá Ria em Aveiro, escusado será dizer que tive de cochilar nos sofás maravilhosos da receção enquanto aguardava pelo nosso almoço. Nota 10 Meliá, comemos muito bem e fomos muito bem atendidos, estou certa que estará relacionado com o facto sermos malta do judo. Serviço de excelência!

Bem, aproxima-se o final do nosso encontro, naturalmente aumenta a proximidade entre todos. A verdade é que estamos cansados, mas todos nós queremos mais; partilhar mais um pouquinho de nós e ter mais um pouco de alguém. 

Começamos a combinar os encontros no Dojo sem datas marcadas, a perspetiva das próximas formações, estágios ou provas. Começam-se a ouvir os valentes traquinas, os desafiadores a falar de randoris: “Temos que fazer um randori, vais levar uma coça!”

“Bronze, bronze…é Bronzeee!

Para fechar com chave de ouro, a malta pôs mãos à obra e no final do evento arrumou dezenas de tatamis, (não são leves) deixando o pavilhão imaculado. Nada que já não seja habitual no espírito do judo.

De saída, com o pensamento e desejo de um reencontro em breve, mesmo a entrar no meu carro, espontaneamente peço ao nosso caro colega Carlos Ramos para relatar…só isso…! Carlos, relata!! Ele olhou-me perplexo, mas processou rapidamente…assim o fez com o bom entusiasmo que ouvimos na sua voz no dia que Jorge Fonseca ganhou o Bronze Tokyo 2020… 

“Bronze, bronze…é Bronzeee!

Assim nos relatou Bianca a sua chegada à Gafanha da Nazaré e a sua participação no Clinic que é sempre um ponto de reencontro entre treinadores, mas também um quadro de aprendizagem como nos sistematizou Rui Veloso o Presidente da ANTJ de forma sumária:

“Cumprindo o seu Plano de Formação para 2021, e mesmo em “tempo Covid”, a Associação Nacional de Treinadores de Judo não deixou de realizar o seu tradicional CLINIC, ação com a duração de 10 horas e que atribuiu 2 unidades de crédito para a revalidação do Título Profissional de Treinador de Desporto (TPTD)”. 

Treinadores de todo o país no Clinic da ANTJ

Assim vale a pena!

“Foi no distrito de Aveiro que a ANTJ encontrou as melhores condições para realizar a ação (e.g., unidade hoteleira, pavilhão, apoios locais). É de realçar a colaboração da Associação Distrital de Judo de Aveiro, Câmara Municipal de Ílhavo e Associação de Árbitros de Judo de Portugal. 

A ação contou com 40 participantes de vários pontos do país (do Minho ao Algarve, incluindo os Açores), número muito agradável tendo em conta os tempos que correm. A ação teve um sucesso muito grande, circunstância que se deveu à natureza dos temas tratados, à enorme qualidade dos formadores, à excelente participação dos treinadores presentes, assim como dos apoios com que contou.

Assim vale a pena! É de referir a importância da componente social que acompanha (sempre) estas ações de formação, já que um salutar convívio é sempre uma mais-valia”. concluiu o Presidente da ANTJ.

Colaboração Bianca Sousa e ANTJ – Rui Veloso | Fotos cedidas por Bianca Sousa | Editado Carlos Ribeiro – JM

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