O judo e as suas periferias marciais

AGENDA | Seminário de Defesa Pessoal | Viana do Castelo

Para muitos o diálogo é impossível e até indesejado. Uma modalidade desportiva como o judo dificilmente se reconhece em abordagens estritamente marciais e não admite pisar o mesmo terreno que incorpora situações de violência objetivada como é o caso da defesa pessoal. Mas o interesse é notório, nem que seja por razões históricas e tradicionais. As katas no judo, por exemplo, são uma ponte para esse universo complexo do homem e do seu contexto guerreiro, de afirmação pela atitude e postura e não tanto pela força.

A Associação de Judo do Distrito de Viana do Castelo e a secção de Judo do Sport Clube Vianense ousaram abrir a caixa de pandora e promoveram um seminário sobre Defesa Pessoal que como tivemos oportunidade de noticiar foi orientado por Sérgio Parreira um conceituado instrutor de Krav Maga uma disciplina focada no combate corpo a corpo e que tem origem em Israel. Trata-se de uma modalidade que transporta consigo uma forte caga política e ideológica já que as suas origens remetem para sistemas de auto-defesa dos judeus na região de Bratislava durante a segunda Guerra Mundial e que as suas utilizações vão da Mossad às Forças Especiais de Defesa de Israel. Um quadro necessariamente complexo que não facilita uma interpretação unicamente pelo lado da técnica ou da eficácia dos processos.

Grupo de participantes

Experimentar como primeiro passo

A Carolina que o diga. Judoca desde os 6 anos ela quis experimentar. Como ela não desiste facilmente das suas ideias ela adianta “o meu pai e o meu irmão sempre me incentivaram a praticar JUDO com o objetivo de um dia me poder defender”. Então esta relação com a defesa pessoal já vem de pai para filhos. Este entendimento que o judo, como modalidade, não é só um desporto, acaba por ter alguma adesão em grupos familiares restritos, mas existentes. O pressuposto do perigo iminente e da insegurança surge como catalisador de vontades e a Carolina não é insensível aos riscos “o mundo começa a mostrar-me outras realidades que até hoje nem sequer pensava. São vários os perigos que a sociedade pode apresentar e ainda mais nas grandes cidades. Muitas vezes a minha pergunta é: e se eu não conseguir reagir? E se eu me esquecer de tudo? Se acontecer alguma coisa num piscar de olhos?”

Super-heróis por um dia

Para a Carolina “o Sergio Parreira ajudou-me a ver isso de uma perspetiva diferente. Como reagir em caso de situações extremas como por exemplo a de sermos estrangulados. Nestas situações não vamos ser super-heróis mas certamente que teremos mais “skills” para poder sair ilesos de situações deste tipo”.


O seminário contou com mais de 30 participantes que , segundo a Associação de Judo do Distrito e da secção de judo do Sport Clube Vianense “eram na sua maioria praticantes de artes marciais tradicionais (Judo, Karaté, Jiu Jitsu, Kung Fu). Participaram ainda membros de forças de segurança (PSP e GNR) e cidadãos comuns. Todos os participantes foram arrancados da sua zona de conforto e levados a situações muito próximas da realidade, mostrando a fragilidade de alguns sistemas que se focam mais na parte lúdica e desportiva”.

António Oliveira, Presidente da Associação de Judo do Distrito de Viana do Castela e David Costa do Sport Clube Vianense felicitaram os praticantes e o próprio instrutor pelo êxito coletivamente alcançado.

Fotos cedidas pela AJDVC e SCVianense

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