A grande saga dos veteranos

VETERANOS Lisboa 2021 |

Este Campeonato do Mundo de Veteranos realizado em Lisboa vai ficar na memória de muitos praticantes, atletas, treinadores, dirigentes, árbitros e organizadores porque deixou marcas bem vincadas em todas as dimensões associadas a um evento com características e responsabilidades de nível particularmente elevado.

O angulo proeminente de análise e de avaliação, não fosse o judo um desporto de combate, é o dos resultados obtidos, ou seja, o número de medalhas conquistadas e a quantidade de posições relevantes que foram alcançadas nas classificações em cada uma das categorias de peso e faixa etária. Neste plano estamos entendidos: Portugal terminou a prova em primeiro lugar na classificação geral tendo conquistado 12 medalhas de ouro, 3 de prata e 6 de bronze. Contou ainda com onze quintas posições e sete no sétimo lugar. A título comparativo a Ucrânia que ficou na segunda posição arrecadou 7 medalhas de ouro, 6 de prata, 10 de bronze e contabilizou 4 e 6 posições no 5º e 7º lugar, respetivamente. Nós sabemos que a participação alargada de atletas portugueses iria necessariamente ter repercussões nos resultados finais. Quantos mais participantes mais hipóteses de presença nos lugares cimeiros. Este raciocínio perde a sua eficácia para os lugares do pódio, e nestes, a contabilidade final é esclarecedora.

Nos restantes domínios, para além da prova desportiva em si-mesma, emergem referências incontornáveis de valorização e de satisfação que vale a pena aprofundar com algum detalhe. Realizemos esta abordagem em estilo de visita ao Pavilhão nº 1 do Estádio Universitário de Lisboa.

O cenário global e a metamorfose do espaço

Cinquenta e três anos depois de aqui se ter realizado o II Campeonato do Mundo Universitário de Judo (1968) a modalidade inscreve mais uma vez na história desta infraestrutura, que recorde-se integrava no tempo do regime de Salazar o Estádio da Mocidade Portuguesa, uma prova de nível mundial.

E quem conhece a área desportiva do pavilhão nº1, que serve nos tempos atuais várias modalidades, depois de aceder ao recinto não reconhece a roupagem com que ele se vestiu para o judo.

É pá tá bonito o pavilhão!

O staff e os apoios de toda a ordem

São vários os canais de circulação que podem ser utilizados por parte de quem se movimenta neste labirinto que, verdade seja dita, está organizado à perfeição.

Encontramos fora do recinto central no qual decorrem os combates vários pontos de apoio e de passagem obrigatória por razões de segurança sanitária mas também para facilitar o fluxo de atletas que devem aceder aos tapetes a tempo e a horas.

O staff funciona como um autêntico exército em campanha. Tudo é realizado a partir de instruções claras e rigorosas.

Desde as Diretoras de Prova, aqui à esquerda Lisa Allan da IJF e Catarina Rodrigues da UEJ e PFJ, ao staff médico e aos assistentes de organização há uma cadeia de comando que promove a intervenção disciplinada nos diversos domínios do funcionamento da competição.

As áreas de aquecimento, de controlo do judogi, da imprensa

Outros intervenientes determinantes

Necessariamente um dos fatores que determina a qualidade de uma competição, a este nível, é a arbitragem. Neste patamar não serão admissíveis hesitações ou ausência de firmeza na aplicação das regras do combate. E nesta matéria importa referir que foi assegurada a presença de árbitros internacionais de grande qualidade. Estiveram árbitros olímpicos a arbitrar nos Veteranos de Lisboa. Neste plano, os árbitros portugueses convocados pela FIJ deram o seu contributo tendo mesmo arbitrado finais como foi o caso de Jorge Fernandes.

As medalhas em boas mãos

Organizar uma entrega de medalhas e de prémios numa prova desportiva é sempre algo de particularmente exigente. Trata-se de uma cerimónia, os atletas estão a vibrar de emoção, nas provas internacionais tocam os hinos dos países com vencedores, em suma, nada pode falhar.

Para que resulte naquilo que se pretende, um momento de glória imaculado, é necessário que todos os intervenientes estejam em boa sintonia com o alinhamento e que não improvisem. Mas sobretudo é preciso que um autêntico chefe de orquestra, neste caso sem batuta, regule os movimentos e estabeleça o ritmo das ações a executar.

Neste Mundial de Veteranos a responsável por esta função de importância decisiva foi Leandra Freitas que deve ter conseguido o feito notável de concluir a operação exatamente no tempo previsto e desejado.

Combates de bom nível, abraços e festa

Denis Weisser, Presidente da Comissão da FIJ para os veteranos, confessou que os resultados e o funcionamento da prova estavam acima das suas próprias expectativas. Para o responsável da prova a decisão tomada de realizar o Campeonato do Mundo ainda em situação de pandemia foi correta e sobretudo foi correta por terem escolhido Lisboa para acolher o evento. Foram as duas decisões que constituíram o fator de sucesso e que possibilitaram a realização de uma iniciativa que tem grande impacto nos clubes. Denis reafirmou que as condições de funcionamento e organização superaram as metas estabelecidas “um ambiente fantástico e uma organização impecável, a Federação Portuguesa de Judo tornou-se uma referência segura na organização deste tipo de eventos desportivos. A única coisa que lamento, e que os atletas visitantes também dão nota disso, é não podermos sair e ir visitar a cidade de Lisboa. Temos que manter o sistema de bolha. Da minha parte estou a contar regressar brevemente”, afirmou entusiasmado.

Nesta matéria de balanços ouvimos Carlos Ramos nos seus comentários, nos Diretos que a IJF assegurou, declarar que os combates estavam a ser de bom nível e que o ambiente de festa com as várias vitórias de atletas portugueses já se tinha tornado banal. Festa nas bancadas e abraços nos tapetes, o judo está a regressar pouco a pouco à normalidade. Esperemos que sim.

Fotos © JM

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