Um dia diferente

DIA MUNDIAL DO JUDO | 28 de outubro 2021

Na obra de Steinbeck, Um dia diferente, o escritor americano trata de um regresso à normalidade, em Cannery Row, no ambiente deprimido do rescaldo da Segunda Guerra Mundial. A jornada do passado dia 28 de outubro, na Marinha Grande, também foi um dia diferente com algo em comum com o livro do Nobel da Literatura de 1962: a retoma de atividades, de forma progressiva e cautelosa, mas com um forte olhar sobre o futuro.

Diferente o dia, porque vimos um Secretário de Estado de judogi azul e de cinto amarelo, no tapete de judo, a interagir com jovens judocas, como peixe na água.

Diferente o dia, porque ouvimos atletas de Alto Rendimento, cegos, a pedirem aos participantes no evento para se esforçarem para verem melhor.

Diferente o dia, porque observámos jovens de tenra idade, judocas do clube local, desempenharem funções de speaker numa cerimónia de grande responsabilidade, com uma qualidade inesperada.

Diferente o dia, porque o IPDJ pela mão do seu Vice.Presidente Carlos Alves Pereira, lançou publicamente uma Campanha “Dislike ao racismo” apoiado por dois embaixadores negros e cegos, Jorge Pina e Miguel Vieira, que colocaram de lado o discurso institucional e politicamente correto destas ocasiões e envolveram os presentes pelo coração e pelo exemplo das suas experiências pessoais.

Diferente o dia, porque um Presidente de Câmara Municipal fica em média 15 minutos nos eventos depois de falar e Aurélio Ferreira, atual edil marinhense, passou a jornada no meio dos jovens e das instituições.

Diferente o dia, porque um cantor de grande notoriedade como João Pedro Pais, que andou pelas lutas olímpicas, foi 8º classificado no Campeonato do Mundo realizado na Suiça em 1989, que levanta multidões com Ninguém é de Ninguém, Louco por ti e outros títulos mais recentes, que enche a Casa da Música e os Coliseus, afirmou que a sua modalidade de agora é inequivocamente o judo. Isto, na partilha de palco que realizou com Leandra Freitas da Federação Internacional de Judo que apresentou projetos inclusivos internacionais.

Diferente o dia, porque foi levantada uma bandeira num Agrupamento de Escolas, que todos assumem como sua: a bandeira da ética.

Diferente o dia, porque um Secretário de Estado da Juventude e Desporto, João Paulo Rebelo, não debitou o “discurso institucional da importância do desporto na vida coletiva e da tarefa inadiável de combater o racismo”, antes optou por nos contar a história do António e do saco dos pães, que não vamos esquecer.

Dia diferente, porque vivemos neste dia mundial da modalidade, as situações mais diversas nas quais o judo andou na boca de toda a gente e serviu para, mais uma vez, apelar a uma vida com valores e a uma sociedade mais solidária.

Fotos © IPDJ

1 thought on “Um dia diferente

  1. Dia Mundial do JUDO, na Marinha Grande, teve todos os ingredientes para o tornarem num dia inesquecível.
    Enquanto judoca que adotou o JUDO como a modalidade para a vida pelos valores que transmite e pelas suas componentes técnico/táticas, tendo por base o relatado, realço duas tomadas de posição que me são caras, por estarem em linha com o que preconizava Jigoro Kano. O JUDO, no seu entendimento, deveria ser encarado como um meio de intervenção na sociedade com o objetivo a modificar para melhor. A primeira foi “….. Leandra Freitas da Federação Internacional de Judo que apresentou projetos inclusivos internacionais.” e a segunda é traduzida pela frase “Diferente o dia, porque foi levantada uma bandeira num Agrupamento de Escolas, que todos assumem como sua: a bandeira da ética.”.

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