Detetor de talentos ou o novo olheiro sofisticado

TALENTOS | Programa DDJudoTalent2024 (I)

O tema da deteção do talento desportivo é desafiador porque o conceito é ele próprio polisémico e acresce que está associado a práticas que direta ou lateralmente incorporam alguma controvérsia. A Federação Portuguesa de Judo relançou recentemente um programa que a pandemia obrigou a suspender e foram dezenas de jovens judocas que estiveram no estágio de Foz de Arouce.

É quase impossível dar nota destes encontros de jovens praticantes da modalidade sem referir o ambiente especial que emerge dos encontros, das conversas, dos treinos, das palestras e dos momentos totalmente informais.

Talento para que te quero?

Ao mesmo tem que no judo nacional se encontra consolidada a ideia que atletas super-campeões como Telma Monteiro ou Jorge Fonseca não aparecem todos os dias, a interrogação sobre quais serão os futuros nomes do Top desportivo da modalidade nos próximos anos é totalmente legítima e até adequada.

Os campeões de amanhã, se o forem, já se encontram no lote de praticantes de hoje e a tarefa é precisamente identificá-los a tempo e horas.

Nesta matéria a FPJ é claramente proativa e o Programa DDJudoTalent2024, criado em 2017, surge como uma boa prática do dirigismo desportivo apoiado em técnicos conhecedores do tema e da forma de lhe dar corpo no terreno.

Luis Monteiro, responsável pelo Programa, adiantou-nos que “retomámos o Projeto – Programa “DDJudoTalent2024” que a Federação criou em 2017 que envolve jovens judocas dos 13aos 16 anos, para que os mesmos jovens possam usufruir de atividades de Judo e concentrações regulares ao longo do ano, como competições, estágios regionais e nacionais, ações de formação e ações de promoção e sensibilização”.

Luís Monteiro, foto © Ulosófona

Programa fundamentado em premissas científicas

A fundamentação do Programa (reprodução parcial que divulgamos a seguir) incorpora uma reflexão sobre aspetos morfológicos, técnicos da modalidade e até comportamentais no plano individual e social.

A Equipa que trabalha com Luís Monteiro é composta por técnicos com experiência nos diversos domínios da investigação que nele se realiza. Os membros da equipa são Rui Veloso (RV), Paula Saldanha (PS), António Saraiva (AS), André Silva (AS) e Joana Ramos (JR).

As bases e os objetivos do programa

Do documento do programa:

“A predição do talento para a prática do Judo, e a previsão sobre qual possa ser o rendimento futuro dos jovens judocas, é uma área de trabalho determinante no sucesso e no futuro da nossa modalidade.

Neste âmbito, um dos fatores mais vezes estudado é a morfologia do atleta. De facto, a literatura reporta que o perfil morfológico do atleta desempenha um papel importante nas respetivas performances, sendo determinante para o sucesso (Kuvačić et al., 2017; Cumming et al., 2017; Lloyd et al., 2016; Matkovic et al., 2003).

Também, a associação entre a morfologia, maturação e desempenho também tem sido considerada no estudo do talento desportivo, assim como o efeito da idade relativa dos jovens atletas sobre as características morfo-funcionais (Baker et al., 2003; Barnsley et al., 1992; Cobley et al., 2009; Folgado et al., 2006; Musch & Grondin; 2001; Mush & Hay, 1999).

Contudo, também outros fatores (e.g., habilidade técnica e tática) parecem ter influência no desempenho desportivo do atleta (Bloomfield et al., 2005; Matkovic et al., 2003; Rivera Sosa,2002), assim como alguns aspetos psicológicos(Ramadas et al., 2012).

Características a observar

De acordo com Franchini (2001), o Judo possui algumas características que devem ser observadas no processo de deteção e promoção de talentos:

  • (a)A divisão das categorias por peso faz com as características dos atletas sejam diferentes em cada uma delas;
  • (b) Embora exista a necessidade de avaliar a condição física dos indivíduos, os aspetos técnico-táticos deverão fazer parte de uma avaliação após um período de aprendizagem da modalidade;
  • (c) Os aspetos psicológicos devem ser considerados, tanto em relação a aderência ao treino como para enfrentar a situação competitiva.

O treino físico de jovens atletas de judo deve ser dirigido ao desenvolvimento das seguintes qualidades: força, rapidez, resistência, flexibilidade e coordenação (Wazir et al., 2017).

Especialistas também afirmam que na organização correta do processo de treino, os atletas de judo até aos 20 anos, devem dominar a base da atividade desportiva de sucesso não só a nível técnico-tática, mas também é necessário considerar comportamentos e motivações de jovens atletas e o seu perfil morfológico.

O treino de força

Até à década de 1990, várias associações científicas nacionais e internacionais (como a Academia Americana de Pediatria), pesquisadores e médicos foram críticos em relação à aplicação do treino de força em jovens. Sugeriu-se que, devido a baixos níveis de androgénio circulante (a testosterona), o treino de força não era eficaz na indução de ganhos de força em crianças particularmente pré-púberes. Além disso, argumentou-se que o treino de força podia causar danos à epífise ou placas de crescimento e, portanto, podia dificultar os processos maturacionais.

É de notar que a epífise é particularmente vulnerável no esqueleto juvenil porque a resiliência da cartilagem aos invólucros externos é menor em comparação com a resiliência do osso. Por conseguinte, argumentou-se que o dano da área da cartilagem podia provocar a fusão da epífise, resultando em deformidades dos membros e / ou cessação do crescimento dos membros.

Hoje, em dia, o trabalho de força em pré-púberes pode ser efetuado se, realizado com cargas adequadas e não máximas e sem a realização de levantamentos acima da cabeça.Para finalizar, o estudo do talento desportivo só faz sentido quando assenta na caracterização da modalidade e integra um conjunto de indicadores que possibilitem o estudo multidisciplinar do atleta.

Objetivos

  • (1)Identificar um conjunto de indicadores morfológicos, fisiológicos, técnico-táticos, psicológicos e sociais capazes de explicar a performance desportivo-motora;(
  • 2)Desenvolver baterias de testes simplificadas e rentabilizar os processos de avaliação e controlo do treino.
  • (3)Estabelecer relações estruturais entre indicadores da aptidão física, técnico-táticos e psicológicos do sucesso do judoca.
  • (4)Construir Tabelas Classificativas (Normativas) e de desenvolvimento das capacidades físicas com base na avaliação longitudinal de atletas.
  • (5)Elaborar estudos no âmbito do desenvolvimento e treino dos jovens destes escalões (13 –16 anos) no Judo.
  • (6)Construir modelos estatísticos que permita predizer o sucesso dos atletas”.

Estágio em Foz de Arouce

Fotos © Federação Portuguesa de Judo

Projeto/Programa de Deteção e Desenvolvimento deTalentos no Judo (DDJudoTalent2024)3ser considerados, tanto em relação a aderência ao treino como para enfrentar a situação competitiva.O treino físico de jovens atletas de judo deve ser dirigido ao desenvolvimento das seguintes qualidades: força, rapidez, resistência, flexibilidade e coordenação (Wazir et al., 2017).Especialistas também afirmam que na organização correta do processo de treino,os atletas de judo até aos 20 anos, devemdominar a base da atividade desportiva de sucesso não só a nível técnico-tática, mas também é necessário considerar comportamentos e motivações de jovens atletas e oseu perfil morfológico.Até àdécada de 1990, várias associações científicas nacionais e internacionais (comoa Academia Americana de Pediatria), pesquisadores e médicos foram críticos em relação à aplicação do treino de forçaem jovens. Sugeriu-se que, devido a baixos níveis de androgénio circulante (a testosterona), o treino de força não eraeficaz na indução de ganhos de força em crianças particularmente pré-púberes. Além disso, argumentou-se que o treino de força podiacausar danos à epífise ou placas de crescimento e, portanto, podiadificultar os processos maturacionais. É de notar que a epífise é particularmente vulnerável no esqueleto juvenil porque a resiliência da cartilagem aos invólucros externos é menor em comparação com a resiliência do osso. Por conseguinte, argumentou-se que o dano da área da cartilagem podiaprovocar a fusão da epífise, resultando em deformidades dos membros e / ou cessação do crescimento dos membros.Hoje, em dia, o trabalho de força em pré-púberes pode ser efetuado se, realizado com cargasadequadas enão máximas e sem a realização de levantamentos acima da cabeça.Para finalizar, o estudo do talento desportivo só faz sentido quando assenta na caracterização da modalidade e integra um conjunto de indicadores que possibilitem o estudo multidisciplinar do atleta.Objetivos(1)Identificar um conjunto de indicadores morfológicos, fisiológicos, técnico-táticos, psicológicos e sociais capazes de explicar a performance desportivo-motora;(2)Desenvolver baterias de testes simplificadas e rentabilizar os processos de avaliação e controlo do treino.(3)Estabelecer relações estruturais entre indicadores da aptidão física,técnico-táticos e psicológicos do sucesso do judoca.(4)Construir Tabelas Classificativas (Normativas) e de desenvolvimento das capacidades físicas com base na avaliação longitudinal de atletas. (5)Elaborar estudos no âmbito do desenvolvimento e treino dos jovens destes escalões (13 –16 anos)no Judo.(6)Construir modelos estatísticos que permita predizer o sucesso dos atleta

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