Novas regras da FIJ no estágio nacional de arbitragem

ARBITRAGEM | Estágio Nacional – 22 de janeiro de 2022

A arbitragem nacional esteve reunida num estágio que envolveu as estruturas centrais e as diversas regiões do país num encontro que serviu para atualizar as novas regras que a FIJ – Federação Internacional de Judo divulgou para o ciclo olímpico de Paris 2024.

A FIJ colocou à disposição de todos os protagonistas desta área crucial da modalidade um vídeo no qual informa, através da voz autorizada de Neil Adams, as alterações e as novidades que já se encontram em vigor. Entretanto a Comissão Nacional de Arbitragem, que por sinal conta com um Coordenador que pertence ao staff técnico da União Europeia de Judo, recebeu as orientações de forma detalhada e consequentemente convocou um Estágio Nacional para Coimbra.

Paula Saldanha, Foto © FPJ

Jorge Fernandes presente

Nuno de Carvalho. que preside a CNA, foi o responsável pela organização do encontro que contou com a presença do Presidente Jorge Fernandes que apresentou as boas-vindas aos árbitros e técnicos de todo o país.

Jorge Fernandes, Presidente da FPJ – Foto © FPJ

Sobre a alteração das regras em vigor as reações são diversas e em alguns casos existe mesmo uma opinião desfavorável quanto à sua adoção.

Para Eduardo Garcia, um prestigiado árbitro internacional, algumas alterações são irrelevantes e em matéria substancial pode-se afirmar que “é mais do mesmo, dentro da filosofia da FIJ que procura resolver questões de natureza desportiva com regras cuja finalidade é tornar o judo ainda mais mediático”. Recordemos que os temas do ajustamento do judogi durante o combate, da controlo do cabelo pelas atletas mulheres, das punições por falta de combatividade ou de ataque efetivo são medidas que visam impor um ritmo a cada combate para a sua visualização nos media seja favorável ao interesse do espectador.

Entre desporto e media

Para Garcia, sendo o judo um desporto de combate, deve ser reconhecido a todo e qualquer atleta o direito de não atacar. Taticamente, numa confrontação com determinadas características, não atacar sistematicamente pode ser a chave para a vitória. Da mesma forma os castigos progressivos, na ótica do também treinador dos Salesianos, não se justificariam. Se é para castigar, porque o atleta não respeitou as regras, então o infrator deve ser excluído do combate porque as regras são para serem cumpridas.

Já Paula Saldanha, uma árbitra em ascensão no plano internacional, que conta com uma relevante experiência como competidora, sendo aliás atleta olímpica, as alterações não surgem como muito significativas e será necessário interiorizar os seus pormenores. Salientou no entanto que “surgem agora indicações, como a avaliação dos 90 graus em determinadas situações, que vão complicar as decisões do árbitro central e vão aumentar o número de intervenções dos juízes externos. Esta matéria vem reduzir a autonomia dos árbitros e de alguma forma remeter cada vez mais situações para os sistemas eletrónicos”.

Do Estágio Nacional e das suas conclusões e detalhes daremos nota numa próxima abordagem ao tema da arbitragem.

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