Um Grand Prix é isto mesmo, continuidade e descoberta

GRAND PRIX ALMADA | 28-30 janeiro 2022

A segunda jornada do Grand Prix de Almada foi marcada por combates tecnicamente muito interessantes, pela presença no tatami de atletas do topo mundial como o belga Campeão do Mundo Mathias Casse e pela liderança da Croácia na classificação geral.

Portugal acabou por não ter atletas no bloco das finais, confirmando que mesmo perante um ambiente extremamente favorável para os competidores nacionais, Wilsa Gomes e João Fernando não consolidaram ainda as suas competências para integrarem o lote de atletas da seleção que tendencialmente se encontram no caminho das medalhas.

Uma brisa de esperança

Wilsa é forte, batalhadora e sempre muito difícil para as suas opositoras. Mas o seu judo é pouco diversificado facilitando a tarefa da antecipação das adversárias. João Fernando é de uma agilidade pouco comum e muito persistente, mas não passou para o patamar do judo dominador, com uma técnica de projeção forte que oriente a sua estratégia e tática de combate. São ambos excelentes atletas, em crescimento e à procura de uma maior segurança nos seus procedimentos e dinâmica competitiva.

Manuel Rodrigues acabou por dar um sinal de grande vitalidade no seu primeiro combate, que venceu contra o norteamericano Yonezuka, mas não teve qualquer margem de expressão perante o judoca brasileiro Shimidt que disputou a medalha de bronze em final de jornada.

O uchi-mata de Yuldoshev

Quando um competidor adota como toki-waza o uchi-mata e o utiliza nos combates com elevado nível técnico é um pouco um regresso ao judo dos grandes movimentos em oposição a um judo mais focado nas capacidades físicas e na velocidade que se generalizou nos últimos anos.

A observação do processo de aplicação do uchi-mata por parte de Yuldoshev, do Uzbequistão revela uma preparação fina e sequenciada dos movimentos que podemos observar:

A eficácia, tudo o indica, está na boa combinação dos fatores e no seu ritmo de execução.

Casse um competidor completo

Ser campeão do mundo não significa ser um judoca de qualidades múltiplas. Alguns competidores apresentam uma forte especialização outros uma maior abrangência no trabalho técnico e tático que realizam.

No caso do belga Casse surge à evidência um competidor com um largo leque de soluções e de dinamização dos processos táticos para atingir os objetivos: ko- uchi-gari, yoko-otoshi, seio-nage …enfim uma grande diversidade de técnicas para assegurar uma eficácia global que concretiza, sem recusar o ne-waza.

O teste de Kim-Chilard

Na disputa da medalha de bronze entre o coreano Kim e o francês Chilard, em -81kg, surgiu uma primeira situação que justificou uma análise e avaliação da arbitragem sobre o denominado “Seoi-nage invertido”. A arbitragem teve que recorrer ao vídeo para tomar uma decisão que acabou por clarificar que a projeção de Kim não se enquadrava na nova regra e acabou por conceder o wazari dela resultante ao competidor da Coreia.

Kim e Chilard na disputa do bronze em -81kg
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