Como foi Orão

INTERNACIONAL | Jogos do Mediterrâneo | 24 de junho – 6 de julho 2020

A décima nona edição dos Jogos do Mediterrâneo teve lugar em Orão na Argélia. O evento multidesportivo, no qual participaram mais de 3000 atletas de 26 países da região mediterrânea, decorreu no estádio olímpico da segunda maior cidade do país. 40 mil assistiram ao vivo à cerimónia de abertura dos Jogos.

Os argelinos receberem os visitantes de África e da Europa com o seu peculiar sentido de acolhimento e hospitalidade e a cidade viveu com orgulho estes dias únicos de grande abertura ao mundo.

Orão é a cidade de Albert Camus. Da peste negra. Do grande romance escrito em 1947 pelo genial filósofo-romancista que nasceu em Mondovi, na Argélia, a 7 de novembro de 1913. Licenciado em Filosofia, participou na Resistência francesa durante a Segunda Guerra Mundial e foi então um dos fundadores do jornal de esquerda Combat. Em 1957 foi consagrado com o Prémio Nobel da Literatura pelo conjunto de uma obra “Na manhã de um dia 16 de abril dos anos de 1940, o doutor Bernard Rieux sai do seu consultório e tropeça num rato morto. Este é o primeiro sinal de uma epidemia de peste que em breve toma conta de toda a cidade de Orão, na Argélia. Sujeita a quarentena, esta torna-se um território irrespirável e os seus habitantes são conduzidos até estados de sofrimento, de loucura, mas também de compaixão de proporções desmedidas” escreveu no livro A Peste.

Orão é hoje uma cidade moderna. Acolheu os Jogos que reúnem três continentes: África, Ásia e Europa. Uma competição multidesportiva onde diferentes culturas, religiões e línguas se juntam.

O presidente da Comissão Internacional dos Jogos do Mediterrâneo, Davide Tizzano sobre a especificidade dos Jogos declarou “Existe uma grande diversidade entre os povos do Mediterrâneo, mas existe uma grande unidade e o desporto torna-se um fio condutor que une os jovens”. Desta forma, destacam-se valores importantes, que são os pilares do movimento desportivo: estar juntos, conhecer novas culturas, misturar-se com outras culturas e compreender que o mundo próprio não gira à nossa volta, mas que existem vários mundos, cada um tem o seu, e que devemos, portanto, integrá-los”.

Itália na posição cimeira das medalhas

Itália dominou os Jogos tendo conquistado a primeira posição no ranking final seguida pela Turquia e pela França. Portugal terminou na 9ª posição da geral.

O judo nos Jogos

Ao longo dos três dias da competição de Judo, entraram nos tatamis argelinos 157 Judocas (73 Femininas e 84 Masculinos) em representação de 23 Países

Portugal esteve presente na cidade argelina com 8 Atletas (4 Femininos e 4 Masculinos): Raquel Brito (-48 kg), Teresa Santos (-57 kg), Wilsa Gomes (-63 kg), Joana Crisóstomo (-70 kg), Ricardo Pires (-60 kg), Bernardo Tralhão Fernandes (-66 kg), Manuel Rodrigues (-81 kg) e Diogo Brites (-100 kg), que foram acompanhados pelo Treinador António Saraiva.

Raquel, Manuel e Joana

Raquel Brito terminou a sua prestação nos Jogos do Mediterrâneo – Oran 2022 no 7º lugar, tendo vencido apenas um combate contra a marroquina Chaime Eddinari por ippon. A Judoca da categoria -48 kg foi a portuguesa mais bem classificada no primeiro dia do evento, que se cumpriu na quarta-feira, 29 de junho.

Teresa Santos (-57 kg), Ricardo Pires (-60 kg) e Bernardo Tralhão Fernandes (-66 kg) não conseguiram superar os seus primeiros adversários.

Manuel Rodrigues (-81 kg) começou a sua prestação com um desaire contra o italiano Kenny Komi Bedel, sofrendo o segundo ‘wazari’ a dois segundos do fim do tempo regulamentar. O português foi repescado e eliminou o atual Bicampeão Africano Achraf Moutii, de Marrocos, alcançando o ‘ippon’ em 40 segundos. Assegurou a presença no bloco de finais, ao somar a segunda vitória na ronda seguinte, superiorizando-se ao argelino Aghiles-Imad Benazoug, que não conseguiu aproveitar o fator casa e cedeu por ‘wazari’ aos 13 segundos do período de ‘ponto de ouro’. Na luta pelo Bronze, contra o francês Tizie Gnamien (45º do ranking mundial), não conseguiu evitar os ataques do gaulês e sofreu ‘ippon’ no segundo minuto do encontro. Com este resultado, Manuel Rodrigues fica perto do pódio, alcançando o 5º lugar.

Na categoria -70 kg, Joana Crisóstomo estreou-se com uma vitória por ‘ippon’ (duplo ‘wazari’), contra a turca Minel Akdeniz. Nos quartos-de-final, enfrentou a nº13 do ranking mundial, Lara Cvjetko, cedendo por ‘ippon’ durante o segundo minuto do combate. Na repescagem, em busca de um lugar no bloco de finais perante a grega Elisavet Teltsidou (34ª), assistiu-se a um confronto muito equilibrado que chegou ao fim do tempo regulamentar com um empate a um ‘wazari’ para cada lado. Após mais de 3 minutos de ‘golden score’ foi Joana Crisóstomo quem cedeu o segundo ‘wazari’, terminando numa honrosa 7ª posição.

Wilsa Gomes (-63 kg) não conseguiu ultrapassar a sua primeira adversária, Melodie Turpin, de França.

Portugal não tendo obtido medalhas na modalidade não consta do ranking final cuja primeira posição foi ocupada por Espanha seguida do Kosovo e da Turquia.

Fontes: FPJ desempenho e resultados dos atletas portugueses | Rankings finais Plataforma Informativa dos Jogos.

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