Zagreb, João Fernando no topo

INTERNACIONAL | Grand Prix de Zagreb, 18 de julho 2022

Um público quase ausente das bancadas num pavilhão desportivo gigantesco que nos fez recordar as competições em tempo de pandemia mas que simultaneamente, em contraste, nos devolveu as memórias do calor do Grand Prix de Almada cujo público marcou a prova lusa do IJF World Tour pelo seu entusiasmo e pela sua presença em todas as fases do torneio.

Em Zagreb valeram o bom nível dos combates e a emoção em algumas finais. Estiveram presentes muitos dos protagonistas fundamentais das 14 categorias de peso da modalidade e nos resultados destaca-se a grande diversidade de países que conquistaram ouro nos masculinos, muito mais que nos femininos.

Os Países-Baixos destacaram-se em masculinos vencendo as duas medalhas de ouro nos pesos mais elevados e, em femininos, japonesas e canadianas impuseram uma marca não-europeia nas categorias de peso mais leves conquistando duas medalhas de ouro, as primeiras em -48kg e -52kg e as segundas em -57kg e -63kg.

João Fernando conquistou a medalha de bronze em -81kg

Matic vence na desforra de Cvjetko

Barbara Matic, a atleta talismã da Croácia, por pouco não teve que disputar a medalha de ouro em -70kg contra a sua compatriota Lara Cvjetko que foi afastada na meia-final pela germânica Miriam Butkereit que assegurou a sua presença na final com uma vitória por imobilização que não deu qualquer hipótese à sua opositora croata. Matic venceu a alemã e mais uma vez deu à Croácia motivos redobrados de alegria, por vencer e por ser na sua própria casa.

Das finais disputadas em Zagreb o destaque vai para Koga (JPN) que venceu a sua adversária francesa Melanie Vieu em 32 segundos com um estrangulamento e para Abe (JPN) em -de 52kg que sabiamente não se deixou impressionar pelo estilo elétrico e destabilizador de Krasniqi e fez valer um judo tecnicamente avançado, projetando e imobilizando a sua adversária kosovar. A vitória de Powell (GBR) sobre Lanir (ISR) em -78kg foi sobretudo uma demonstração do valor técnico do trabalho no chão e uma reafirmação da competição no judo como um ato de prazer e de alegria.

João Fernando conquista bronze

Nome grande de Zagreb é o de João Fernando que conquista uma medalha de bronze em -81kg, uma vitória que representa para o atleta um grande salto em frente e para a seleção nacional a incorporação de mais um competidor do topo europeu e mundial.

O percurso de João Fernando até chegar à disputa do bronze é pura e simplesmente impressionante derrotando sucessivamente todos os seus adversários até à meia-final onde foi barrado por Djalo o francês que viria a vencer a prova numa final contra Saeid Mollaei.

Rápido na execução, quase felino na sua interação com os adversários, com um morote circular com velocidade e oportunidade, João Fernando, contra o marroquino Moutil ,na disputa do bronze, confirmou no Golden Score que o seu lugar no topo não é por acaso. Pedro Soares serrou os punhos e aplaudiu de forma entusiástica e com um enorme sorriso de alegria no rosto. Uma meta superior tinha sido alcançada.

Catarina no comentário da FIJ

Os restantes atletas lusos não conseguiram afirmar uma posição significativa na prova e apesar das vitórias iniciais de Catarina Costa e de Francisco Mendes, na segunda ronda foram afastados pelos respetivos adversários.

Sobre Catarina Costa e a sua relação com as posições de liderança na categoria de peso de -48kg no comentário da FIJ sobre Zagreb surge esta observação um tanto ou quanto moralista “É o que está a acontecer a Catarina Costa. A sua excelente medalha de prata no Campeonato da Europa em Sofia e o seu ouro em Lisboa catapultaram a judoca portuguesa para o quarto lugar no ranking mundial e primeira cabeça de série em Zagreb. Quando uma atleta é favorita no papel, os holofotes são direcionados para ela de forma irreversível. Costa ficou cega pelos holofotes e despediu-se da Croácia pela porta de trás após ser derrotada pela americana Maria Celia Laborde no segunda ronda”. Só alguém que não conhece Catarina Costa pode escrever este tipo de avaliação estandardizada recheada de banalidades. Catarina perde e ganha, como todas as grandes campeãs. É só isso. Dar lições de humildade a Catarina Costa é bater á porta errada.

Fotos © Sabau Gabriela / FIJ

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