Braço-de-ferro no judo olímpico preocupa a comunidade judoca

NOTÍCIAS | 12 agosto 2022 |

A iniciativa de uma Carta Aberta divulgada por 7 atletas do projeto olímpico, dos quais seis estiveram na mais recente olimpíada de Tóquio 2020, trouxe para a praça pública um conjunto de divergências, críticas e tensões que a comunicação social nacional tem divulgado e que, no seu conjunto, preocupam a comunidade judoca de norte a sul do país.

O Secretário de Estado da Juventude e do Desporto, João Paulo Correia, o Presidente do Comité Olímpico de Portugal, José Manuel Constantino, Ana Oliveira diretora-adjunta do projeto olímpico do Benfica e o próprio Presidente da Federação Portuguesa de Judo, Jorge Fernandes emitiram opiniões sobre o conflito.

O governante responsável pela área do desporto manifestou a sua preocupação perante a situação criada atendendo o eventual impacto do desfecho do conflito na representação portuguesa dos próximos Jogos Olímpicos, em Paris, em 2024.

Por sua vez José Manuel Constantino exprimiu o receio que as consequências do conflito levem a uma separação de águas, pelo lado da Federação com a saída de Jorge Fernandes ou pelo lado dos atletas com o seu abandono do seu enquadramento federativo na FPJ.

Ana Oliveira, diretora adjunta do projeto olímpico dos encarnados, reagiu à carta aberta dos sete judocas. “Quem tem de resolver isto é o presidente da Federação, em conjunto com o CoP”

“Todos os atletas que assinaram esta carta — que, repito, não são só do Benfica — precisaram de muita coragem. Foi preciso chegar a um ponto de saturação tão grande que não é normal… Que eu tenha conhecimento, foi a primeira vez que isto foi feito. Ainda por cima por atletas que são a elite do desporto nacional que representa o judo, são atletas que o que mais querem neste momento é paz e harmonia”, defendeu Ana Oliveira, diretora adjunta do projeto olímpico do Benfica, em declarações à TSF.

Jorge Fernandes, nas suas declarações públicas, não aceitou as críticas formuladas pelos atletas e reafirmou a legitimidade, como Presidente eleito, de decidir do modelo de treinos e de estágios de preparação, assim como das formas de gestão dos recursos financeiros disponibilizadas pelo governo através do Comité Olímpico.

Numa sistematização relativamente simplista das questões que estão em cima da mesa podemos (JM) adiantar o seguinte:

QUESTÕES CENTRAIS

MODELO

O modelo de preparação dos atletas do projeto olímpico tendo em conta principalmente a localização dos estágios e dos treinos e a sua qualidade.

Atletas: o modelo na fase COVID-10 foi muito positivo, mas está desadaptado das necessidades atuais. A deslocação sistemática para Coimbra provoca muito desgaste e o nível de preparação é fraco. Para além do mais as datas de presença obrigatória em Coimbra impedem a participação em estágios internacionais bem mais interessantes e mais adaptados às necessidades dos atletas do projeto olímpico.

FPJ: o modelo é idêntico (e até menos rigoroso) ao de outros países, como como é o caso de França, com obrigatoriedade de participação nos estágios e treinos em Paris. Para além do modelo geral importa que os atletas mais fortes apoiem a evolução dos mais jovens através da sua presença em Coimbra.

BOLSAS

Gestão dos recursos financeiros colocados à disposição pelo Comité Olímpicopara a preparação dos atletas do projeto olímpico.

Atletas: as bolsas são individuais e deveriam ser atribuídas a cada atleta e não serem utilizadas para outros fins. A gestão deveria ser realizada pelo Comité Olímpico de Portugal e não pela Federação.O custo do treinador nacional que acompanha os atletas deveria ser suportado pela Federação e não ser afetado ás Bolsas individuais.

FPJ: a Federação não se importaria que fosse o COP a gerir as verbas individuais relativas ás Bolsas. O enquadramento legal, no entanto, não o permite segundo o próprio COP. Os valores atribuídos a cada atleta e treinador estão bem definidos com escalões que vão de 1375€ aos 600€. Para além das verbas individuais existem verbas de apoio á preparação que vão de 25.000 a 20.000€ por atleta, por ano.

AMBIENTE

O ambiente existente, o estilo de liderança e a relação projeto coletivo – dinâmicas individuais

Atletas: o ambiente é negativo na relação com o Presidente da FPJ, o que não acontece com os treinadores e restantes colegas com os quais predominam relações de respeito e companheirismo. O negativo mencionado traduz-se em: imposições, ameaças, atitudes xenófobas e desrespeito . Quanto ao estilo de liderança predomina ume ausência de abertura ao diálogo e à negociação das sugestões adiantadas para melhorias no ecossistema. Quanto ao respeito pelos direitos individuais o espaço para a emissão de opiniões e de ações individuais é inexistente. Genericamente é qualificado de ambiente tóxico e insustentável.

FPJ: O problema não estará na apreciação que é feita da gestão e da liderança porque até agora sempre houve indicações positivas a esse propósito. A questão central é a atitude egoísta e o fato de não quererem treinar. A legitimidade de um Presidente eleito não pode ser questionada. Existe um modelo, uma estratégia e por isso as tomadas de decisão são coerentes. Muitas das afirmações são mentira e gostava que tivessem dito o que escreveram á minha frente.

Fontes: O Jogo, Observador, Rádio Renascença

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