Até venho arrepiada. Eles são mesmo espetaculares

publicado 5 de outubro 2022 | António da Costa na Madeira | Editado JM

O dia seguinte

Podia começar como a música do Pedro Abrunhosa “hoje acordei e senti-me sozinho”. Faltam-me os Campeões, a azáfama de os levantar, de os ajudar a preparar, de os fazer cumprir horários. Hoje faltam-me eles. Mas hoje é dia de alegria, porque sinto que cumprimos os nossos objetivos, e isso só nos pode encher de orgulho.

Hoje é dia de recordar. Recordar hoje e sempre, porque eles gravaram a fogo, na minha memória, estes dias que passamos juntos, como o fazem sempre que os encontramos.

Há pessoas que passam pela nossa vida e não deixam marca. Estes deixam uma marca profunda (pelo menos em mim).

Encerro aqui a minha “crónica”. Espero que também tenham gostado de seguir esta viagem. Escrever num telemóvel estes textos não é fácil, mas já anotei que da próxima tenho mesmo que levar um portátil (vamos sempre aprendendo).

Do Sabugal a Pevidém

Algumas curiosidades da nossa “aventura”. Ilustres (des)conhecidos Não me recordo se foi no primeiro ou segundo pequeno almoço que tomámos, mas estávamos a utilizar uma camisola do evento da Guarda 2021. Uma senhora, que estava hospedada no mesmo hotel aproximou-se e perguntou-se se éramos da Guarda e eu respondi que não apesar de termos gente de perto da cidade dos três F’s. Ela disse-me que era de perto do Sabugal. De imediato adiantei que a nossa Maria era do Sabugal e fui apresentá-la. A partir dali, sempre que passava por nós, éramos brindados com um sorriso de toda a comitiva que acompanhava a senhora e palavras de incentivo.

Também não faltava a curiosidade de saber como estavam a correr as coisas e saber os resultados. Mas não pensem que foi só uma vez. Visitámos o Mercado dos Lavradores no nosso treino cardio (se forem à Madeira não percam a oportunidade de visitarem este mercado). Aproveitámos para experimentar algumas frutas e para comprar algumas recordações. Conversa puxa conversa e o senhor da banca das recordações diz-nos que é de Rendo, uma freguesia perto do Sabugal. Claro que voltámos a ter ali, com o Manuel Estevinha, um momento animado pois era de próximo da localidade de uma das nossas atletas.

Mas as curiosidades não se ficam por aqui. Numa das refeições eu estava ainda a ajudar os campeões a ir buscar a sua comida e sinto uma mão a tocar no meu braço. Virei-me e vi um casal sentado que me perguntou se o nosso Paulo Lemos não era de Pevidém. Eu disse que sim, e a senhora, muito simpática, virou-se para o marido e diz “eu sabia. Eu já o tinha visto e era ele”. Era também um casal da zona de Guimarães que conhecia o nosso Paulo Lemos pela sua ligação e entusiasmo para com o clube da sua terra. Para além do Paulo ainda conheciam, ou já tinham visto, outra das nossas atletas.

Estes são uns ilustres desconhecidos que acabam por ser reconhecidos em todo o lado. Simpatia “familiar” Estávamos a almoçar pela última vez juntos. Era domingo. A Sofia sentou-se à minha frente com a lágrima no olho. “Até venho arrepiada. Eles são mesmo espetaculares”. Depois explicou-nos que tinha estado a falar com os empregados do restaurante, que tinham, como já tive oportunidade de referir, apesar de não conseguir pôr por palavras o tanto que nos fizeram sentir bem, em casa e amados, partilhado as suas experiências.

O venezuelano e a irmã gémea

Um dos jovens que sempre nos sorria, mimava a rapaziada e os entusiasmava, era venezuelano. Uma pessoa fantástica, que só não fez o que não conseguiu para os ver felizes. Esse jovem, contou a Sofia, percebia melhor do que eu percebo, o que é viver com alguém com Síndrome de Down. A sua irmã gémea, que julgo ainda estar na Venezuela, tinha também este Síndrome. Mas não posso dizer que só ele era simpático ou tudo fazia pelos nossos Campeões.

Vocês sabem, porque já o escrevi, que todos foram maravilhosos connosco. Muito obrigado aos nossos amigos da Dorisol. Agora é tempo de terminar as crónicas. Sei que muito ficou por contar, mas foi tudo vivido a mil porcento. Hoje coloco a medalha que eles me ofereceram com a conquista da equipa, da qual tive o prazer de ser treinador, entre as que fui amealhando enquanto atleta.

Mas esta medalha vai para um lugar de destaque porque é a mais valiosa que tenho. Esta foi conquistada pelos meus metralhas Patricinha, Susaninha, Maria, Paulo Lino, Côrte, Carlitos, António e Paulo Lemos, ao lado de uma equipa técnica fantástica com Sofia Côrte, David Carreira e Mário Emídio.

Agora é ver o Mundial Sénior, e desejar que todos alcancem os seus objetivos. Depois desse importante evento, se tiver oportunidade, vou falar-vos de uma instituição fantástica onde se pratica Judo Adaptado. Mas agora, todos juntos a apoiar a nossa seleção no Campeonato de Judo.

1, 2, 3… PORTUGAL

António da Costa

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