A inclusão sem mulheres

O difícil caminho da igualdade de género no judo nacional

No Almoço/Gala da Federação Portuguesa de Judo que teve lugar no Convento S. Francisco no passado dia 10 de dezembro o tema central foi a inclusão. Com muita emoção atletas paralímpicos como Miguel Vieira, Djibrilo Iafa e muitos outros, destacando na circunstância os atletas e as atletas com síndrome de Down que participaram recentemente no Campeonato do Mundo, assistiu-se a uma valorização de uma vertente do judo que merece todos os apoios possíveis e toda a dedicação que ela exige, técnica, organizativa e até afetiva.

Inclusão, um conceito associado ao desenvolvimento sustentável

Infelizmente esta importantíssima área de organização da modalidade representa para muitos, com uma visão politicamente correta e até altruista/assistencialista, o judo inclusivo. O equívoco é de tal forma dramático que no encontro anual mais representativo do judo não só foram omitidos os inúmeros projetos de INCLUSÃO que são dinamizados nos territórios em vários pontos do país por clubes e associações como, as mulheres, que são as principais porta-bandeiras do judo português a nível internacional, só foram reconhecidas e valorizadas pelas medalhas conquistadas. O reconhecimento e o mérito, esses foram para HOMENS, claro!

Projetos de judo inclusivo, judo nos bairros

Três mulheres entre homens sem conta

Veja-se que foi preciso chegar à 27ª atribuição de Prémios e Homenagens para encontrar a primeira representante feminina, no caso Joana Santos que foi considerada a atleta feminina do ano. Paula Saldanha e Raquel Brito foram as outras duas exceções. A primeira por ser a árbitra do ano, a segunda pelo fair-play.

Dos 48 prémios atribuídos, em termos de reconhecimento ou mérito, apenas 3 foram entregues a mulheres. Reconhecimento, dedicação, medalhas de honra e de mérito, são quase exclusivamente para homens!

Querem dirigentes associativos dedicados e empenhados? Querem treinadores com nível elevado? Querem presidentes, vereadores, médicos e outras funções ou atividades de relevo?

É fácil, procurem bem, não encontram uma mulher.

Para as medalhas cá estão elas!

Mas se querem falar de medalhas, de conquistas na prática desportiva, de pódios, então ai vêm elas: a Bárbara Timo, a Catarina Costa, a Fábia Conceição, a Raquel Brito, a Patrícia Oliveira, a Susana Sampaio, a Maria Ribeiro, a Carolina Costa, a Catarina Diniz…

Segue uma amostra (não representativa, meramente ocasional) para destacar em imagens a vitalidade das mulheres no judo nacional, a todos os níveis. Na competição mas também noutras dinâmicas exteriores ao judo como as questões das doenças mentais no desporto de alto rendimento, do empreendedorismo dos desportistas e atletas de competição, das treinadoras de judo e o apoio às praticantes raparigas e mulheres, numa ótica de género, etc.

Um sentido de paridade…(com a presença de Filipa Cavalleri dirigente da AAOP)

Prémios e homenagens GALA FPJ 10 de dezembro 2022

O DIRIGENTE associativo Nelson Trindade solicitou que o seu nome fosse retirado desta lista que foi fornecida pela FPJ (não sendo um documento editável, fica a clarificação para os leitores). Editado Judo Magazine 16 de dezembro 20:54.

Please follow and like us:
error
fb-share-icon

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *