Eleições gerais antecipadas no judo nacional

A próxima Assembleia Geral Eleitoral vai ser composta com delegados que serão eleitos para o efeito

Vitor Pataco, Presidente do IPDJ

O bom senso teria aconselhado uma iniciativa clarificadora que implicasse eleições sem reservas de todos os Órgãos Sociais e naturalmente dos próprios delegados que na Assembleia Geral tomam as decisões fundamentais da vida da modalidade.

A convocatória para eleições que o Presidente da Mesa da Assembleia Geral divulgou, com data marcada para 19 de fevereiro, poderá assim perder o seu efeito a menos que a eleição de delegados seja realizada em tempo recorde o que não parece viável tendo em conta os prazos e o período das festividades de fim de ano que geralmente tendem a terminar no final da primeira semana do primeiro mês do ano.

O Regime jurídico não deixa margem para dúvidas

O IPDJ- Instituto Português da Juventude e Desporto clarificou à luz do Regime Jurídico das Federações Desportivas que “a candidatura a presidente só é admitida se acompanhada de candidatura aos órgãos a que se refere o artigo anterior» e que “ as federações desportivas devem contemplar na sua estrutura orgânica, pelo menos, os seguintes órgãos: a) Assembleia geral; b) Presidente; c) Direção; d) Conselho fiscal; e) Conselho de disciplina; f) Conselho de justiça; g) Conselho de arbitragem” e assim sendo “só após serem eleitos os referidos delegados que compõem a Assembleia Geral, se poderá proceder à eleição dos restantes órgãos federativos“. 

Tendo em conta a clarificação da tutela sobre os passos que devem ser seguidos, em clara oposição aos pontos de vista da Mesa da Assembleia Geral que pretendia que no ato eleitoral de 19 de fevereiro fossem apenas eleitos uma nova direção e um presidente, esta é a segunda grande contrariedade ao sentido de condução do processo pelos quatro eleitos para a função de representação dos interesses dos associados Carlos Alberto Correia Andrade, Sandra Maria André Godinho, Alberto Rogério Rosas Peixoto da Costa e Telmo Ricardo Sanches Alves.

Teste à democraticidade do processo já está em andamento

O Órgão que é garante, em todas as estruturas associativas, da democracia e do respeito pela voz dos associados, fazendo o devido contrapeso a intenções autoritárias ou de abuso de poder de outros órgãos sociais, ficou neste caso muito fragilizado e até desautorizado o que resulta em enfraquecimento da própria federação.

Recorde-se que Carlos Andrade aceitou ser homenageado no Almoço/Gala em Coimbra, no passado dia 10 de dezembro, sabendo que o Presidente da FPJ iria ser destituído por ilegalidades cometidas e a direção que promoveu o gesto de reconhecimento iria cair a curto prazo. As funções de representação dos interesses de “todos os membros da instituição” teriam justificado um distanciamento da iniciativa evitando más interpretações que eventualmente não se justificam.

Eleições, uma oportunidade para melhorar

Constata-se assim que o processo democrático no seio da Federação Portuguesa de Judo está a ser arrancado a ferros quando todos ganhariam com uma abertura ao debate e à reflexão sobre como agir para que os interesses de alguns não condicionem os interesses mais gerais da modalidade.

Um processo eleitoral à vista. Se as ideias circularem de forma franca e aberta, o judo poderá ganhar com a dinâmica que poderá emergir. Se o assunto for tratado do lado das pessoas de quem se gosta mais ou menos, então a batalha estará perdida.

Assembleia Geral de dia 18 de dezembro em Coimbra

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