ENTREVISTA | José Mário Cachada, candidato à presidência da FPJ

Importa, desde logo, restaurar a confiança na Federação Portuguesa de Judo

O exclusivo desta entrevista à Judo Magazine honra-nos de forma muito especial. Partilhamos com José Mário Cachada um terreno de comprometimento ideológico e cidadão que é a ÉTICA NO DESPORTO. Mas sabemos que os papéis sociais são o que são. A função dirigente de uma instituição e a informação independente são campos de atuação com regras deontológicas muito claras e exigentes. E essas serão aquelas que aplicaremos, sem quaisquer concessões ou desvios. Assim cumpriremos, como nos compete, a nossa missão de servir o judo como modalidade desportiva de paixão.

ENTREVISTA EXCLUSIVA

JUDO MagazineA candidatura tornada pública encontra-se disseminada nos diversos meios de comunicação e a primeira interrogação que surge é a da oportunidade. Será o momento oportuno, quando o Judo anda a ser tema de crispação e até de alguma confrontação com a tutela (IPDJ) por razões que se prendem com ilegalidades cometidas pelo Presidente destituído da FPJ, para uma candidatura de alguém que é Embaixador da Ética no Desporto (PNED) e que pode vir a ser contaminado por outras irregularidades das quais algumas já estão a ser averiguadas?

JOSÉ MÁRIO CACHADA – Disse-nos, um dia, Clémont Marot que “para quem sabe esperar, tudo vem a tempo”, razão pela qual, a propósito da pergunta, diríamos que já era tempo de alguém se apresentar como uma alternativa, como uma nova alternativa, alguém que lidera uma equipa que deseja promover uma mudança, sobretudo mas não só, face ao atual momento a que a Judo Magazine alude. Claro está que, a mudança não é apenas um modo de olhar para o problema, a mudança requer uma solução para esse mesmo problema, a mudança requer maturidade e, no caso em concreto, como a Judo Magazine refere e bem, a presente mudança implica um certo risco, a mudança implica a possibilidade de aceitarmos, mesmo, eventuais desvantagens, de sairmos magoados, até. Seja como for, a mudança que se pretende encontra-se centralizada, não tanto no líder, não tanto no embaixador para a Ética no Desporto, do PNED, mas na pessoa humana que o líder, que o embaixador é, na pessoa humana que o líder, que o embaixador deve ser, hoje e sempre. E, do embaixador para a Ética no Desporto espera-se que empreste o seu nome, a sua presença, bem como, o seu testemunho pessoal, nas diversas iniciativas a levar a cabo no âmbito da ética, mas, fundamentalmente, espera-se que promova os valores inerentes ao desporto nas suas atividades profissionais e pessoais. Assim sendo, nada há a recear no que a uma, eventual, contaminação diz respeito, bem pelo contrário.

JM – A candidatura adotou um lema que menciona um novo caminho, referindo expressamente a necessidade de responsabilidade e de profissionalismo, em que é que estes dois domínios poderão surgir de forma alternativa às práticas atuais da FPJ?

JMC – O Judo é, habitualmente, identificado como o caminho da suavidade. Nos últimos tempos, como é público e notório, o caminho do Judo, em Portugal, tem sido tudo, menos suave. Não se trata de uma crítica, mas sim de uma constatação. Também por isso, ou talvez por isso mesmo, importa que a Federação Portuguesa de Judo cresça em responsabilidade e profissionalismo, no sentido de acompanhar as exigências que, diariamente, são colocadas à organização de uma modalidade de sucesso, como é o caso do Judo. Só uma entidade renovada, credível e dinâmica estará à altura de representar e de dirigir, condignamente, o Judo, em Portugal, procurando, de igual modo, contribuir, construtivamente, para a política desportiva nacional. Assim sendo, importa, desde logo, restaurar a confiança na Federação Portuguesa de Judo, tão abalada nos últimos tempos, bem como, conhecer e trabalhar em equipa, com as associações distritais e com as associações de classe, repensar e reorganizar o modelo desportivo e inovar para crescer.

JM – Existiria um certo consenso, no Judo nacional, sobre os bons resultados da Direção da FPJ que agora caiu com Jorge Fernandes. Quando se faz referência na candidatura a ALTERNATIVA está-se a pensar em mudanças radicais ou muito substanciais ou os ditos resultados alcançados aconselharão alguma prudência nas medidas que irão ser tomadas?

JMC – Em Portugal, no que diz respeito aos resultados desportivos, presumindo que é disso que a pergunta trata, importa devolver a paz e a tranquilidade, às praticantes e aos praticantes de alto rendimento, ambas necessárias à prossecução dos seus objetivos individuais, que são, também e como é óbvio, os objetivos de todo um país, que não só os da comunidade judoca portuguesa. Porém, conforme já referimos, importa, de igual modo, repensar e reorganizar o modelo desportivo do Judo, em Portugal, se desejarmos assegurar o futuro da modalidade. Razão pela qual, não poderemos, de forma alguma, esquecer-nos de contemplar uma mudança de paradigma, no que diz respeito a um percurso que deve, necessariamente, procurar assegurar o futuro das jovens praticantes e dos jovens praticantes, de Judo, rumo à excelência.

JM Temos verificado que as questões da igualdade de género e até do Judo inclusivo que extravasa o universo das pessoas portadoras de deficiência têm tido práticas controversas ou até estreitas na sua abordagem nos diversos contextos do Judo nacional, Haverá alguma alteração nestes domínios emblemáticos do “Judo para todos”?

JMC – O desporto está hoje disponível para todos, o que não acontece em muitas outras áreas sendo, por este motivo, muito popular. Assim sendo, o desporto em geral, e o Judo em particular, deve ser entendido como um processo igual para todos, até pelo princípio que anteriormente referimos, no que diz respeito ao educar as crianças e os jovens, por exemplo, para a aceitação das diferenças e para o respeito pelas capacidades de todos os praticantes. Na verdade, a prática do Judo, em Portugal, pelo menos para nós, pode ser uma oportunidade de igualdade, uma oportunidade para promover os valores éticos do desporto e, ainda, uma oportunidade para demonstrar que não se deve ofender, entre outros, a orientação sexual, o estatuto social, a etnia e a religião dos agentes desportivos, desde as crianças e jovens até ao mais alto nível. O que equivale por dizer, “Judo para todos”, mas mesmo todos, sim.

JM Necessariamente a questão dos atletas do projeto olímpico que contestaram os métodos de diálogo e de negociação do Presidente destituído,  sobretudo em matéria relacionada com a preparação de Paris 2024 terá que ser  totalmente sanada. Está pensada alguma forma de intervenção que garanta que a participação do Judo nas próximas Olimpíades será marcada pela boa cooperação com o COP e com os próprios atletas e treinadores?

JMC – Como já tivemos oportunidade de referir, importa devolver a paz e a tranquilidade, às praticantes e aos praticantes de alto rendimento. Assim como, importa, de igual modo, restaurar a confiança na Federação Portuguesa de Judo, tão abalada nos últimos tempos, junto das mais diversas entidades, como por exemplo e desde logo, o Comité Olímpico de Portugal e, muito naturalmente, junto das praticantes e dos praticantes de alto rendimento, bem como das suas treinadoras e dos seus treinadores.

JM Os membros da Equipa que está a ser organizada e divulgada foram selecionados na base de critérios de representatividade e de influências territoriais ou na base de outras linhas de atuação que eventualmente não se inscrevem na tradição das disputas eleitorais na modalidade?

JMC – Previamente a qualquer outra questão, para nós, não se trata de uma disputa. Pode não parecer importante, contudo, para nós é decisivo. Depois, e concretizando, os membros da equipa, como estou certo de que o processo de divulgação estará a demonstrar, foram selecionados com base no facto de terem, por um lado, muito amor ao Judo, por outro lado, com base no facto de serem humildes e, ainda, com base no facto de terem muita vontade de enfrentar desafios, como este, por exemplo. A representatividade nacional foi, muito naturalmente, tida em linha de conta, não como um fim, mas pelo facto de, no Judo nacional, existirem inúmeros judocas, existirem inúmeras pessoas humanas, com estas características.

JM A ser eleito o José Mário Cachada manterá as  inúmeras funções que atualmente ocupa no campo autárquico, académico e outros?

JMC – As funções que, atualmente, ocupo são, por um lado, do foro profissional e, por outro lado, do foro do voluntariado, um dos meus desígnios de sempre, como julgo que é ampla e socialmente reconhecido, qual seja o de eu saber dar, sem esperar nada em troca, assim como, nas palavras de James C. Hunter, o de eu saber “servir para liderar”. Concretizando, e indo de encontro à pergunta, sendo eu Professor de Educação Física na Escola Secundária Almeida Garrett, encontro-me, atualmente, a desempenhar as funções de Chefe de Divisão Municipal da Divisão de Educação e Cultura da Câmara Municipal de Espinho, estando a acumulação do exercício de outras funções, no meu caso, devida e legalmente autorizada. Razão pela qual, eleito, continuarei a saber, muito naturalmente, ser e estar, no que às funções profissionais e outras diz respeito, sendo necessário, “ajustando-me” e, para que não restem dúvidas, sempre no respeito pela legislação em vigor.

Entrevista conduzida por @carlosribeiro | Editado 16h18

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