Ninguém compreenderia que delegados que destituíram um presidente o viessem a reeleger

Judo Nova Alternativa quer recuperar a confiança na FPJ com mais transparência e mais democracia

Apresentação do programa vai prosseguir junto de associações, clubes e outras entidades

Quase que poderíamos arriscar a afirmação que dos membros da Mesa que presidiu à sessão de ontem ao fim da tarde, na Casa da Juventude de Odivelas, um dos elementos que menos falou foi o candidato a Presidente da Federação Portuguesa de Judo, José Mário Cachada. “Aqui falamos a uma só voz em relação ao nosso projeto, não fala é só uma voz!” fez questão de salientar o orador inicial, dando ênfase a um espírito de equipa que acabou por se confirmar ao longo das apresentações que foram realizadas.

Não foram registados quaisquer ataques ou críticas diretas ao Presidente destituído e ao elenco federativo que governou a modalidade até à Assembleia Geral e o discurso foi sempre propositivo e associado a novas ideias ou perspectivas de evolução do judo nos próximos tempos.

José Mário Cachada adiantou as ideias força do Programa de Ação da candidatura que lidera. Nos próximos tempos o seu conteúdo será aprofundado e enriquecido em reuniões com associações, clubes e outras entidades. Mas as referências à necessidade de uma federação renovada, credível e dinâmica foram categóricas. As intenções da Nova Alternativa são de natureza estratégica ao ponto de se admitir que uma das missões mais importantes da estrutura federativa radicará na participação em todos os processos de definição e de melhoria da política desportiva nacional.

José Mário Cachada

Uma das tarefas urgentes da federação será criar as condições de tranquilidade e de serenidade aos atletas e às atletas, principalmente do Alto Rendimento, que já obtêm resultados relevantes e/ou que definiram objetivos individuais audazes. “Importa garantir um apoio de qualidade porque as suas metas assumem um caráter coletivo da modalidade e até de todo um país” destacou Cachada.

Reformular o modelo desportivo

Uma tarefa indispensável, no entendimento do candidato à presidência da federação, consiste na reformulação do modelo desportivo existente e assegurar que o “judo para todos” seja uma realidade.

José Mário Cachada adiantou, na sua intervenção, que a Nova Alternativa conta com cada uma das delegadas e com cada um dos delegados à Assembleia Geral para agirem no sentido da mudança necessária, até porque não se compreenderia, nem no judo, nem na sociedade em geral, que aqueles e aquelas que destituíram o antigo presidente o reelegessem alguns dias depois.

Igualdade de género a sério

Sandra Esteves na apresentação dos candidatos para as diversas funções e órgãos do elenco federativo salientou que a presença de uma mulher por órgão tem um significado fácil de interpretar. mas quando as mulheres são muitas isto significa que existe a convicção que elas devem lá estar.

Sandra Esteves e Felismina Barros

Mais transparência e mais democracia

Por sua vez na apresentação das medidas que o programa já prevê em alguns domínios fundamentais, Pedro Caravana, que é candidato à Vice-Presidência, foi direto ao assunto e destacou os quatro pilares do programa com destaque para o primeiro restaurar a confiança que exigirá uma forte atuação no sentido de uma maior transparência e também de democratização.

Noutros pilares como Conhecer e trabalhar em equipa e Reformular o modelo desportivo o destaque vai para a descentralização, aumentando entre outras iniciativas, o número de provas e ajustando-as à demografia do judo nacional.

Mais inovação em favor da sustentabilidade

Uma ideia nova prende-se com o interesse em que exista um patrocinador para cada escalão, atraindo a iniciativa privada, sendo certo no quadro de objetivos de médio prazo.

Noutros domínios como a arbitragem admite-se que um processo firme de qualificação poderá atrair mais árbitros para a modalidade. Já no terreno da Inovação e sustentabilidade, pretende-se atrair jovens, reforçar as ligações ao desporto escolar, promover a conciliação escola-família e cuidar das carreiras duais dos atletas articulando estruturalmente o processo com as famílias.

Outra visão para o DTN e as graduações

Por fim Pedro Caravana adiantou que será necessário rever o papel do Diretor Técnico Nacional cuja missão será principalmente de coordenar, gerir e projetar tendo por base o conhecimento, ou seja funcionar numa base clara que não se confunda com funções como a de selecionador, de treinador nacional e outras, eventualmente.

No final da apresentação do programa e da equipa que a Nova Alternativa coloca ao serviço do judo nacional houve direito a perguntas e respostas e a comentários finais nomeadamente sobre temas como as iniciativas visando a democratização da federação e ainda sobre as graduações por mérito. Nestas matérias Pedro Caravana relembrou que o judo deve consolidar a riqueza do conhecimento e valorizar, nessa ótica, quem realiza esforços reais para melhorar a modalidade integrando saberes e práticas.

Pedro Caravana, Alberto Rocha e Nuno Capucho

© fotos JM

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