16/06/2024

Cinco categorias de peso na primeira jornada do Grand Prix de Portugal

Mimi Huh (KOR)

Mimi Huh, atleta da República da Coreia, fez da Campeã do Mundo Rafaela Silva gato de sapato na final da categoria de peso de -57 kg. A atleta brasileira, que chegou ao combate decisivo com muitas dificuldades, teria teoricamente todas as condições para renovar o título que conquistou no ano passado em Almada não fosse a irrequieta e dominadora Mimi Huh. A coreana deu uma autêntica lição sobre como os gigantes devem enfrentar os Titãs. Sim, Huh que conquistou a medalha de bronze em Jerusalém e venceu o Grand Slam de Abu Dhabi em outubro passado não é uma challenger e é mesmo a nona classificada do ranking mundial. Mas vencer daquela forma dominadora e sem erros a grande competidora que é Rafaela Silva, é obra!

Mimi Huh (KOR)

A par de Huh importa destacar nesta primeira jornada duas outras competidores que marcaram a prova pela sua capacidade de resistência e de luta por objetivos. Queremos mencionar a finalista do Casaquistão em -48 kg Galiya Tynbayeva que disputou o Golden Score decisivo da meia-final com Catarina Costa que durou 11:14 minutos e que eliminou no seu primeiro combate a francesa Melanie Vieu (FRA). Por outro lado a italiana Capanni (ITA) que na meia-final foi derrotada por Rafaela Silva (BRA) depois de um Golden Score de 11:05 acabou por ultrapassar, na conquista do bronze, a sempre difícil Marica Perisic (SRB), que foi derrotada de forma categórica.

Fukuda e Tilovov

No judo masculino o destaque vai para os dois vencedores em -60 kg e -66kg com uma referência particular ao judo de precisão do japonês Yamato Fukuda (JPN) na primeira categoria de peso, veja-se o juji-gatame sobre Garrigos (ESP) na final que parece a coisa mais simples do mundo a executar. Por outro lado Tilovov do Uzbequistão, frente a AN Baul da República da Coreia, demonstrou que a combinação tática-técnica-resistência ofensiva é quase uma garantia de vitória quando executada com rigor e de forma sistemática e permanente.

Catarina lutou até ao limite das forças

Catarina Costa (POR) lutou. Uma meia-final que fica para a história da participação da atleta da Académica de Coimbra em provas internacionais. João Neto orientou com lucidez e terá sido decisivo quando a adversária jogou na pressão sobre os limites da área de competição numa fase que a terceira penalização daria tudo a perder. Tudo indicava que ultrapassada a fase mais crítica de desgaste do Golden Score Catarina iria dar a volta por cima. Não aconteceu, mas foi uma prova disputada nos limites com o resultado inverso ao desejado pela atleta de Coimbra. Na disputa do bronze a atleta espanhola Lapuerta, que vinha de ultrapassar Andrea Stojadinov no primeiro combate da repescagem, surgiu no combate com estímulos adicionais e a sua atitude combativa constituiu a base da vitória que remeteu Catarina Costa para o 5º lugar.

Catarina Costa

Uma menção positiva para os atletas lusos que venceram os seus primeiros adversários como foi o caso de Emerson Silva, Ricardo Pires, Raquel Brito, Miguel Gago e Maria Siderot.

Uma referência final às atletas que são maioritariamente orientadas no banco por treinadores masculinos. É quase uma invariável. Mas uma brisa de ar fresco veio da final em -57kg na qual Rafaela Silva e Mimi Huh beneficiaram do apoio exterior ao tapete da parte de duas selecionadoras, elas também mulheres.

Selecionadoras do Brasil e da República da Coreia

O Grand Prix de Portugal prossegue amanhã com as categorias de peso intermédias.

Fotos © IJF Kulumbegashvili Tamara

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