REPORTAGEM JM – O judo no Parlamento (1)

Audição na Comissão de Cultura, Comunicação, Juventude e Desporto

Foram quatro as audições que ontem tiveram lugar na 12ª Comissão, cada uma delas relacionada com a situação do judo como modalidade olímpica, tendo sido ouvidos, separadamente, os atletas que subscreveram a Carta Aberta, o ex-Presidente da Federação Portuguesa de Judo, Jorge Fernandes, o Presidente do Comité Olímpico, José Manuel Constantino e o Presidente do IPDJ – Instituto Português da Juventude e Desporto, Vitor Pataco.

Iniciativas do BE e do PS

A iniciativa destas audições parlamentares foi assumida pelo Bloco de Esquerda e pela Partido Socialista sendo a matéria central das interrogações, interpelações, comentários, pedidos de esclarecimento e clarificação a solidez, ou em contrário a fragilidade, do projeto olímpico do judo português atendendo à instabilidade que se verifica na gestão da modalidade e na ausência de uma confiança estruturante entre os protagonistas do Plano de Ação para Paris 2024.

Os deputados dos diversos partidos representados na Comissão Permanente, PS, PSD, Chega, BE, PCP e IL surgiram neste processo de escuta ativa com um bom conhecimento dos problemas e a preocupação com as perturbações na preparação dos atletas para os Jogos Olímpicos foi muito significativa ao ponto dos agradecimentos aos atletas presentes pelos resultados desportivos obtidos terem sido conotados com referências elogiosas e até de orgulho nacional.

O inabalável prestígio do judo

Nesta matéria – o Judo no Parlamento – importa mencionar a vertente da interpelação pública à modalidade com aspetos menos saudáveis, que a lógica de audição e inquérito introduz, mas impõe-se também uma leitura positiva produzida pelo destaque que foi dado à modalidade pelos representantes do povo português democraticamente eleitos.

O judo é uma modalidade com grande prestigio no país. Os portugueses sabem que a modalidade já trouxe grandes troféus e alcançou resultados de valor internacional inestimáveis.

Este foi o posicionamento de partida de todas os grupos parlamentares nesta iniciativa no Parlamento.Desta forma a mensagem foi clara: repor a estabilidade e a confiança nas estruturas diretivas e na organização do judo a nível nacional tornou-se uma tarefa prioritária e até urgente.

Foi este o sentido que percorreu as quatro audições de ontem na Comissão Parlamentar e que levaram a esforços de clarificação e aprofundamento sobre as causas, as manifestações concretas e os objetivos dos fatores de instabilidade instalados.

O que esteve em causa?

As interpelações, de uma forma resumida, foram no sentido de:

1 – O ex-Presidente da FPJ, Jorge Fernandes, pela sua atuação, destituição e comportamento posterior ao seu afastamento pela AG tem condições para exercer alguma função, qualquer que ela seja, na modalidade no futuro?

2 – Houve má gestão ou até irregularidades na aplicação das verbas do erário público destinadas a apoiar os atletas na sua preparação olímpica?

3 – Está alguma matéria do Plano de Preparação para Paris 2024 comprometida com a situação entretanto criada?

4 – São necessários reforços de verbas para que o projeto olímpico do judo não seja condicionado por fatores financeiros e de gestão dos recursos?

5 – As eleições na FPJ, que foram anuladas nos termos convocados pela MAG e agora marcadas para abril, atendendo ao facto dos restantes Órgãos Sociais se manterem, vão resolver a situação?

6 – Como está a ser gerida atualmente a FPJ? Dá garantias de cumprir a missão que lhe é atribuída pela regras e objetivos das federações desportivas?

Pode o Parlamento ir mais além?

No essencial o debate contido e condicionado pelas regras de funcionamento das Comissões girou à volta de temas com este sentido e conteúdo e depreendeu-se que haveria vontade que uma intervenção mais musculada ocorresse, repondo ordem na casa do judo.

Mas as regras democráticas da separação de poderes e do respeito pela autonomia das entidades de direito privado da sociedade civil, apesar de exercerem funções de interesse público, recomendam acima de tudo o diálogo, aliás a palavra-chave utilizada por José Manuel Constantino, Presidente do Comité Olímpico, ao longo de toda a audição.

REPORTAGEM | Judo Magazine no Parlamento, 14 de março 2023

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