Valha-nos Gualdim Pais!

Sexto título mundial para a francesa Clarisse Agbegnenou

Patrícia Sampaio surge como última esperança para um resultado mais compatível com o valor da seleção que está em Doha nos Mundiais de judo. A atleta de Tomar, que representa a Sociedade Filarmónica Gualdim Pais – SFGP, tem o seu primeiro encontro marcado na sexta-feira dia 12, contra a britânica Emma Reid, na categoria de peso de -78 kg.

O sorteio não parece ser muito desfavorável para a atleta lusa apesar da presença no seu quadro de apuramento da italiana Alice Bellandi atual nº 1 do ranking mundial e de Lee (KOR) que venceu Sampaio no último combate entre elas. Outras atletas com elevada reputação internacional Tcheumeo (FRA), Hamada (JPN), Powel (GBR), Steenhuis (NED), em outras, encontram-se fora da primeira fase de participação da atleta tomarense que ocupa o 11º lugar no ranking mundial.

Emma Reid será a primeira adversária de Patrícia Sampaio

Não correu bem

Não vale a pena, para já, tecer considerações sobre os percursos curtos que têm marcado a participação dos atletas e das atletas portuguesas na mais importante prova anual do calendário internacional.

Não correu bem. É um facto. Mas o que mais surpreende é o número de afastamentos logo no primeiro combate e ainda a percentagem de atletas que viveram essa situação. De nada vale comentar negativamente a situação, os primeiros a lamentar e a interiorizarem as mágoas de uma saída prematura da prova são os próprios atletas. E não serve de consolação que, a campeões olímpicos e nºs 1 do ranking mundial como é o caso de Rafaela Silva (BRA), tenha acontecido o mesmo.

Raquel Brito, a jovem algesina que estreou-se nesta prova (-48 kg), continua até agora a contabilizar o melhor desempenho em termos de resultados da comitiva com duas vitórias a seu favor. Hoje Bárbara Timo, em -63 kg, começou bem, ultrapassou a austríaca Krssakova, mas cedeu logo de seguida perante a veterana brasileira Ketleyn Quadros que recuperou de um wazari que Bárbara conquistou com um excelente ataque.

Bárbara Timo contra a sua primeira adversária da jornada

Final emocionante em -81 kg

Grigalashvili (GEO) e Casse (BEL) ofereceram ao público presente na Arena e ao mundo do judo em geral uma final de grande emoção. Ambos tinham afastado outros dois candidatos ao título Lee (KOR) e Muki (ISR) nas meias-finais.

Lee acabou por ceder de forma espantosa, face à eficácia e à extraordinária execução técnica de Tato Grigalashvili e, importa referir, o atleta coreano estava nos seus “bons dias”, já Muki, que resistiu com segurança às investidas do belga até ao Golden Score, foi perdendo capacidade de resistência e de ataque e acabou por ser imobilizado por Casse.

Na categoria feminina de -63 kg Clarisse Agbegnenou sagrou-se campeã do mundo pela sexta vez e deu hoje uma lição ao mundo: menos de uma ano depois de ter tido a sua filha Athena, veio ao Mundial vencer a prova demonstrando que os discursos sobre incompatibilidades entre maternidade e carreira desportiva são completamente desprovidos de sentido e são muitas vezes alimentados por “opositores informais” à igualdade de género na sociedade.

Os dois protagonistas da final de -81 kg

Fotos © IJF

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