26/05/2024

Prata e bronze apesar das muitas desilusões na primeira jornada do Open de Madrid

Raquel Brito conquistou a medalha de prata e o bronze de João Crisóstomo foi alcançado numa disputa com Thelmo Gomes

João Crisóstomo e Thelmo Gomes disputaram a medalha de bronze num palco internacional

O Open Europeu de Madrid reúne atletas de níveis muito diferenciados e surge, no calendário da União Europeia de Judo, num período que podemos classificar de paradoxal porque ao mesmo tempo que no processo de planeamento para os Jogos Olímpicos de Paris 2024 a fase é de arranque da etapa decisiva, para os atletas que não integram o projeto olímpico a fase é de encerramento de ciclo atendendo ao período de estágios e de mini-férias que se aproxima.

A comitiva lusa presente no Open é das mais elevadas de sempre numa prova europeia, tendo a proximidade da capital espanhola influenciado a decisão de aposta na competição em Madrid para a preparação dos atletas portugueses para os embates internacionais.

Raquel Brito e o judo eclético

Raquel Brito persistente no pódio nas participações internacionais

Há quem afirme que o competidor na modalidade judo que recuse sistematicamente a disputa do combate no solo revela uma fragilidade técnica e mental que de alguma forma o afeta na condução tática dos combates. Claro que se trata de uma zona de risco mais gravosa que no judo em pé. O erro tem consequências mais drásticas que nas falhas no equilíbrio/desequilíbrio da ação visando a projeção. A atleta do Algés e Dafundo tem vindo a demonstrar quanto um judo mais eclético é vantajoso para quem o pratica. Em termos absolutos, claro. Percebemos bem que um judo do estilo “Jorge Fonseca” pode dispensar uma relação tão forte com o solo. A gestão da energia, para um judo “explosivo”, pode desaconselhar um investimento noutras aplicações dos recursos, mas veja-se o caso do atleta belga Casse e até o holandês De Witt que praticando um judo muito ofensivo fazem do solo um refúgio com dupla utilidade.

Raquel conquistou a prata em Madrid, mais uma vez demonstrando segurança e grande concentração. A atleta francesa Marine Gilly levou a melhor no combate da final com um judo muito ofensivo que acabou por colocar Raquel Brito em sucessivas situações de desvantagem. O Ippon da atleta gaulesa foi um culminar lógico atendendo à forma como decorreu o combate.

João Crisóstomo de bronze ao peito

O atleta da Lusófona disputou a medalha de bronze contra o seu colega de seleção Thelmo Gomes que realizou um percurso muito positivo ao ponto de ter sido relegado para a disputa do 3º lugar apenas depois de perder na meia-final contra o francês Orlando Cazorla.

Registe-se que João Crisóstomo, que revela uma boa forma física e uma maior rapidez na execução no seu seoi-nage / seoi-otoshi, teve que ultrapassar na primeira etapa da repescagem Otari Kvantidze, atleta do Sporting que realizou um percurso de grande qualidade com três vitórias antes de ceder face ao futuro vencedor da prova o italiano Edoardo Mella.

O bronze de João Crisóstomo constitui um excelente sinal de regresso do atleta dos -73 kg, categoria de peso na qual Portugal passa a ter 4 atletas com elevado potencial: João Crisóstomo, Thelmo Gomes, Otari Kvantidze e Saba Danelia, este último foi surpreendido no seu combate inaugural, na segunda ronda, por um atleta da República Dominicana que aparentava não ter capacidade de resistência ao judo mais eficaz do atleta do Sintrense, mas deu a volta à situação e acabou por barrar Danelia no seu percurso madrlleno.

Dos desempenhos dos restantes judocas da seleção nacional importa destacar Emerson Silva que conquistou um 5º lugar depois de um percurso vencedor até à meia-final, fase na qual perdeu para o italiano Carlino. Na disputa do bronze o atleta espanhol Pedro Gomez levou Emerson Silva de vencida e o atual campeão nacional da categoria de peso acabou por ficar fora das medalhas.

Fotos © Gabi Juan /UEJ_FIJ

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