Algarve quer conquistar um lugar ao sol no judo nacional

ENTREVISTA – Associação distrital procura definir uma rota comum para o judo algarvio

Dinis Pinto e Carla Martins são batalhadores de vários quadrantes. Para além de conduzirem os destinos do respectivo clube, o Clube Desportivo Areias de S. João, em Albufeira, têm agora a responsabilidade de relançar uma dinâmica associativa em todo o território algarvia.

Não tem sido fácil porque a imagem de divisão e de fraca participação nas atividades associativas está ainda muito presente. No fundo a velha questão do associativismo formal, que está desligado dos interesses comuns e que se estrutura apenas pela organização de ações nas quais cada um se “serve” e pouco contribui para o coletivo, continua a ter um peso muito grande. Mas Dinis Pinto, atual Presidente da Associação Distrital, não desiste e acredita mesmo que muitas coisas podem mudar no futuro.

Dinis Pinto, Presidente da ADJA – Algarve

Areias de Albufeira

Para ter uma equipa minimamente coesa para levar a cabo as tarefas de âmbito distrital foi assumida uma estratégia de polo agregador, no caso em torno do Areias de S.João em Albufeira.

Para Dinis Pinto o ideal seria que os membros dos órgãos sociais, e até da direção, fossem representantes dos vários clubes, mas como ele afirma “Infelizmente isso não é funcional. Os nomes aparecem mas depois não há disponibilidade para realizar um projeto mais amplo que vá para além do do próprio clube. É um problema que está identificado. Estamos a tentar um outro modelo com riscos de uma centralização que pode causar alguns problemas. Mas para sermos operacionais temos que assumir outra forma de funcionar”.

Para o Presidente da Direção da AJDA – Algarve o funcionamento na base dos duodécimos que a Federação distribui pelas associações acaba por ser também muito complicado. “A alternativa seria cobrar taxas, para termos mais receitas, e consequentemente termos um Diretor Técnico Regional e alguém na área administrativa, mas não queremos ir por aí. Com esta equipa de direção mantivemos um consenso no judo do Algarve baseado na ideia-força que foi que todos os clubes iriam participar e fornecer recursos que poderão ser partilhados. Temos esperança que pouco a pouco se va caminhando nesse sentido” afirmou Dinis Pinto que é um militar da GNR, com 3 filhos e com imensas responsabilidades no plano profissional, designadamente na área criminal na qual atua diariamente. A estas responsabilidades junta a dinamização de um clube de judo com mais de uma centena de atletas que disputam provas nacionais em todos os escalões. Trata-se de uma sobrecarga enorme que só a vontade de levar o projeto associativo distrital para a frente faz que não desista e, antes pelo contrário, procure soluções para os problemas e tente mobilizar os diversos clubes do Barlavento ao Sotavento.

Desafios

Os desafios das associações distritais estão bem espelhadas na realidade algarvia. Existem alguns anti-corpos entre alguns treinadores e atletas devido ao histórico das relações ao longo dos anos. O pior seria selecionar e impor alguém, por exemplo, para Diretor Técnico. Se a intenção é juntar toda a gente, sem exceção, então tem que haver uma estratégia de aproximação progressiva.

Para o efeito Dinis Pinto relatou-nos a experiência dos treinos associativos nos últimos 7 meses que decorrem em Albufeira que por ser central e por ter boas condições logísticas, já que a Câmara Municipal cede o pavilhão e os tapetes ficam sempre disponíveis, apesar de desmontados, naquele espaço desportivo, têm tido sucesso.

“Os resultados são positivos e vamos continuar com este esforço que acaba por compensar” reafirmou o Presidente da Direção cuja meta é começar a agregar vontades e pouco a pouco ir mais além.

“Estamos a convidar este ou aquele treinador para orientar o treino associativo e esta diversidade tem grandes vantagens” afirmou.

Uma associação que realiza várias provas anualmente e procura envolver os mais jovens na modalidade

Henrique Nunes, um bom exemplo

“Recentemente Henrique Nunes, que costuma vir até ao Algarve, foi convidado pela associação para dinamizar um treino. Foi uma boa experiência para todos. Desde logo verificou-se que muitos dos jovens atletas não conheciam esta referência do judo português. Foi muito positivo contactarem com a qualidade de um treinador tão experiente com inúmeros ensinamentos a transmitir”. relatou Dinis Pinto.

Formação vai ser prioridade

Uma das apostas para o próximo ano é a formação. A intenção é criar estrutura de judo. Formar todos aqueles que são decisivos para a organização de provas, desde logo os árbitros e todas as funções auxiliares.

“Importa também apostar na formação de treinadores e de atletas de formação. Incentivar ainda o judo adaptado. Sem a criação de algumas bases estaremos como acontece em grande medida no judo nacional. Há um enfoque na competição, nas medalhas e na organização de provas que dão prestígio aos clubes e até às associações. Mas a aposta tem que ser mais estrutural” adiantou Dinis Pinto.

Mudança de paradigma

Para Carla Martins a mudança tem que ir no sentido de uma maior cooperação entre os clubes. Estamos a arrumar a casa e de seguida poderemos avançar com novas iniciativas. O Algarve é muito extenso em termos geográficos e isso complica as deslocações.

Uma ideia expressa pelo Presidente da direção é ter tapetes em vários pontos da região para facilitar iniciativas que tenham em contra as distâncias e as dificuldades de deslocação.

A questão logística é um problema real. Mas os clubes que tendem a focar-se na competição vão pouco a pouco aderindo. Ainda existem algumas dificuldades com alguns clubes nomeadamente das cidades maiores como Faro e Portimão, mas estamos no caminho correto.

Dinis Pinto

Utilidade pública aprovada

O trabalho realizado pela direção anterior foi aproveitado e concluímos um processo que já estava instruído. “Tivemos que o completar mas não desperdiçámos nada do esforço que foi interrompido pela pandemia. Agora podemos recorrer a esta figura para procurar melhor o desempenho da associação”, ressaltou Dinis Pinto que valorizou o trabalho feito anteriormente.

Carla Martins aproveitou para ressaltar a posição da associação em relação às atitudes menos colaborativas “Nós nunca deixaremos de apoiar os atletas independentemente do relacionamento que exista. Os atletas não podem ser prejudicas de forma alguma”.

Federação suspendeu os duodécimos

Surgiram problemas com uma Assembleia Geral e as consequências foram negativas para a Associação porque deixou de receber verbas da Federação. “Não fomos sequer ouvidos e foi um período muito complicado. Mas está tudo resolvido e agora vamos procurar concretizar novos objetivos . Uma das metas será a maior presença do judo nas escolas. Infelizmente não temos recursos humanos suficientes para assegurar iniciativas fora dos clubes” recordou Dinis Pinto que desde que tomou posse não tem tido mãos a medir.

“Existem dois núcleos de judo de âmbito escolar em Albufeira. Uma das vertentes é o judo adaptado. Pode-se melhorar este quadro. Certamente que outras UAARES no Algarve ajudariam à progressão do Alto Rendimento na região” adiantou para finalizar Carla Martins cuja especialização em psicologia do desporto lhe permite estabelecer pontes com a educação física nas escolas e nos colégios. Estas experiências com as escolas também estão presentes em vários clubes do Algarve, importa agora generalizar as boas práticas.

ENTREVISTA | Dinis Pinto, Presidente da Direção | Carls Martins, Vice-Presidente da ADJA – Associação Distrital de Judo do Algarve.

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