Tempos do Algés

EDITORIAL JM – Sport Algés e Dafundo – Judo e a notícia que Aníbal Silva já não está entre nós

Carlos Valentim Ribeiro, 1 de abril 2024

Vivi entre 1975 e 1984 em Algés. Com a minha família, na Avenida dos Combatentes. Os tempos desse tempo registavam-se à velocidade da luz. Era preciso mudar o mundo, depressa, que já se fazia tarde.. Trabalhava na fase inicial deste período, no Jornal do Comércio. Andavam por lá o Jaime Antunes, o Alpedrinha, o Pinto e quando fui provista da primeira página, o Vitor Direito, o Raul Rego sinalizavam, a quente, as correções a introduzir. Era administrador o Joel Hasse Ferreira.

Quando regressava do jornal dizia sempre cá para mim “mais uma vez não vou conseguir ir ao judo, ir ao Algés”. Na prática raramente conseguia. Ou melhor, nunca conseguia. E o clube era na avenida onde eu morava. Quem orientava os treinos era o José Branco e o Aníbal Silva acompanhava os mais “lentos”. Era o meu caso. Nessa altura treinavam no Algés o Pedro Cristóvão, o Rui Domigues, o António Matias, o José Bastos e muitos outros. O Aníbal Silva cuidava dos que se encostavam às paredes por exaustão e falava connosco com muita serenidade. Perguntava-me com um sorriso “Como vai hoje a Revolução?”. Foram poucas as vezes que tive o privilégio de partilhar conversa com um treinador que se preocupava com aqueles que “não acompanhavam o ritmo”. Nos grandes clubes onde prevalecia um elevado espírito competitivo não era comum esta abordagem diferenciadora. Esta é a boa memória que tenho de Aníbal Silva.

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