16/06/2024

Mariana Esteves conquistou o título de campeã africana em -57 kg e tirou bilhete para os Jogos Olímpicos

ENTREVISTA JUDO MAGAZINE | Conduzida por Carlos V. Ribeiro

O Campeonato Africano de Judo que teve lugar no Egito, na cidade do Cairo, aliás em simultâneo com o Panamericano e o Europeu, este último disputado em Zagreb, contou com a participação de 34 países e de 190 atletas.

O Egito acabou por arrecadar a maior fatia das medalhas em disputa e terminou no primeiro lugar sendo seguido pela Argélia, Marrocos, Tunísia e Guiné. A seleção angolana que participou condicionada na sua representação institucional, recordemos que os atletas competiram debaixo da bandeira da União Africana de Judo, terminou em 7º lugar, Cabo Verde em 9º, Moçambique em 21º e a Guiné-Bissau em idêntica posição.

Mariana Esteves à conversa com o Judo Magazine

Mariana Esteves, campeã africana

Mariana Esteves em representação da Guiné conquistou o título de campeã africana na categoria de peso de -57 kg e deu mais um passo para a sua qualificação para os Jogos Olímpicos de Paris 2024. Estivemos à conversa com ela que nos revelou que nas provas que se realizam em África o ambiente no pavilhão é claramente uma marca distintiva “Quando um atleta da casa combate o barulho é ensurdecedor. Por acaso eu gosto de combater com atletas do país anfitrião, faço como se os apoios fossem para mim. Mas na verdade é preciso ter em conta, por exemplo, que não se consegue ouvir nada da orientação do treinador, durante o combate. Para o conseguir temos que nos posicionar de uma forma estratégica”.

Sobre os aspetos organizativos do evento Mariana deu nota do facto do pavilhão no qual decorreu a prova ter excelentes condições “tinha uma climatização adequada e era enorme. Sentia-me uma formiga no meio daquela imensidão” confessou-nos com a sua boa disposição.

Final foi vencida com uma projeção

Quanto aos resultados a campeã africana recordou que o TOP 3 do judo africano é constituído por países do norte de África “Tunísia, Argélia e Marrocos são os mais fortes, com o Egito a completar esse trio. Este último fez uma aposta na seleção e tem agora pelo menos dois atletas com bons desempenhos internacionais. Têm dois treinadores japoneses que acompanham esta progressão. Mas como sabemos o trabalho nesta perspetiva tem que ser pensado a longo prazo” comentou Mariana que conhece cada vez melhor o judo no continente que irá certamente representar nos Jogos de Paris.

A análise à sua prova na categoria de peso de -57 kg foi produzida através de palavras sóbrias “Fiz de facto algum trabalho de preparação específica, estudei adversárias e fiz o meu trabalho. Mas ao contrário do ano passado que ao chegar à meia-final bloqueei, a perspetiva de já ter uma medalha retirou-me lucidez, este ano estava tranquila fui para a final com uma grande segurança. No combate contra a sul-africana, que é forte em o-goshi e ura-nage, senti que podia atacar sem recear excessivamente o contra-ataque dela e assim fiz. Gostei da forma como terminou, com uma projeção e não com o terceiro castigo para uma de nós que estava iminente, já tínhamos dois shidos”.

Pódio -57 kg, no Cairo, Campeonato Africano 2024

Paris 2024

Fizemos uma revisão rápida sobre o estado atual da qualificação olímpica e Mariana Esteves adiantou-nos “Estou a 70 pontos da quota direta. Se vencer um combate no Mundial, que será a minha próxima prova, entro nessa condição. Entretanto sou a segunda africana na cota continental, à minha frente está a atleta da Argélia de -63 kg”. Para finalizar Mariana confessou-nos “Estou tranquila. A última atleta africana tem 800 pontos e eu tenho mais de 2000. Mas irei ao Mundial e às restantes provas nas quais ainda vou participar com o sentido de sempre: ir à procura da vitória e fazer o meu melhor”.

“Paris é quase 99,9% certo. Agora vou desfrutar de forma tranquila. Tive um período de incerteza, mas neste momento quero ser feliz durante este processo. Vai ser mais tranquilo do que estava à espera, mas ainda há muito trabalho para fazer” concluiu Mariana de forma otimista já a pensar na cidade luz e na maior aventura que uma atleta pode viver: os Jogos Olímpicos.

Foto pódio © AJU

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