16/06/2024

Nas contas de Paris, ainda há muito para acontecer

A teoria do caos e o efeito borboleta aplicados às qualificações do judo para Paris 2024

“Para Lorenz, isso equivalia a dizer que o vento que causa o bater de asas de uma borboleta no Brasil pode ocasionar um tornado no Texas” assim se pode introduzir o Efeito Borboleta e recordar que as abordagens ao comportamento de sistemas caóticos tem uma premissa de base que remete para a ideia-força que pequenas modificações num sistema podem ocasionar resultados significativos se aquele apresentar uma dependência sensível.

No caso em apreço, as qualificações do judo para os Jogos Olímpicos de Paris, depois do grosso da coluna ter sido clarificado com o Campeonato de Mundo realizado em Abu Dhabi, a borboleta pode vir do Tahiti Oceania Open 2024 ou então do Marrakech African Open 2024 que se realizam ambos nos próximos dias 1 e 2 de junho e que podem influenciar de forma direta as qualificações da zona europeia.

A Oceania pode complicar

O que está em causa, antes de mais, é a quota continental da Oceania que dispõe de 5 lugares femininos e indagar da possibilidade do pequeno milagre Tais Pina poder ocorrer. As probabilidades são praticamente nulas, mas o cenário apresenta a sua complexidade: por um lado a hipótese de estarem disponíveis 4 vagas por qualificação direta de Moira De Villiers da Nova-Zelândia [-78 kg] que está inscrita no Open de Tahiti.

Esta situação afetaria diretamente as qualificações na zona europeia já que a atleta Loriana Kuka do Kosovo desceria para a quota continental e colocaria em causa a atual disposição nomeadamente a de uma atleta da Bósnia e Herzegzovina, Samardzic Aleksandra.

Necessariamente há uma vaga que será ocupada por atletas da Polinésia francesa mas as contas complicam-se e podem envolver 2 atletas da Europa e uma da América do Sul.

Moira de Villiers [NZL] pode influenciar a qualificação de Samardzic [BIH]

África

Em África existem também várias situações não resolvidas como as da África do Sul, do Botswana, do Burundi, dos Camarões e apesar dos pontos máximos nestes derradeiros Open serem 100, 70 e 50 para as posições no pódio, podem surgir pequenas diferenças que farão toda a diferença. O Open de Marraquexe pode ser o palco ideal para essas variações imprevisíveis.

Há ainda a a registar a participação no Open do norte de África do atleta mongol Mihail Latisev da categoria de peso de -81 kg que poderá introduzir alguma perturbação nas contas em função do seu resultado final.

Com a colaboração de Paulo Esteves

Fotos © IJF

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