19/07/2024

FPJ à beira da rutura financeira

As contas apresentadas pela Direção de federação indiciam uma situação grave que pode ter consequências imprevisíveis

A ABC realizou a auditoria às contas da FPJ – na Foto Luis Alves . ABC

A Assembleia Geral que se realiza amanhã para apreciar o Relatório e Contas referente ao exercício de 2023 tem uma responsabilidade particularmente exigente de clarificar a situação e de exigir que sejam tomadas medidas que assegurarem a continuidade das condições de funcionamento de uma modalidade cuja credibilidade está a ser atingida no campo da gestão.

No plano desportivo o judo vai tendo a sua capacidade de afirmação. Há um grande trabalho dos clubes. das associações e um forte comprometimento dos atletas, mas na gestão e sobretudo na gestão financeira verifica-se uma derrapagem que pode por em causa muitos projetos de futuro.

Os dados estão em cima da mesa. Já não é possível olhar para estes números de forma tendenciosa ou aceitando justificações de conveniência ou na base de futuras opções no quadro eleitoral que está em andamento no judo nacional. Agora é preciso ser exigente e colocar a questão em pratos limpos.

A constatação mais evidente é a duplicação dos prejuízos e do passivo


As contas de 2022 já tinham sido bastante deficitárias com um resultado líquido negativo de € 346.121 e um passivo corrente de € 971 mil mas, a Direção da FPJ divulgou as contas que irá apresentar na próxima Assembleia Geral onde se pode verificar um resultado líquido negativo de € 717.963 e um passivo corrente de 1,8 milhões de euros.

Estas contas consubstanciam assim a incapacidade da FPJ em cobrir os custos anuais da sua atividade e o avolumar das dívidas a terceiros, sendo de destacar a dívida de €667 mil à FAI, composta essencialmente por duas faturas correspondentes ao Fee dos eventos Grand Prix e Junior World Judo Championships no montante de 250.000€ e 300.000, respetivamente.

Tendo em consideração que “a Entidade acumulou um montante de prejuízos bastante significativo ao longo dos últimos anos, mantendo-se os fundos patrimoniais bastante negativos, agravados pelos resultados negativos do período de €717.963 e o passivo corrente muito superior ao ativo corrente da Entidade”, o revisor oficial de contas voltou a emitir uma opinião com reservas em que “este desequilíbrio da estrutura financeira, indicia que existe uma incerteza material que pode suscitar dúvidas sobre a capacidade da FPJ em se manter em continuidade”.

Estamos assim num terreno de gravidade extrema que exige um posicionamento de exigência e de responsabilidade. Naturalmente o acompanhamento dos organismos da tutela, que manterão um respeito pela autonomia da entidade em causa, pode agora colocar-se em termos dos “limites aceitáveis de endividamento para poderem continuar a beneficiar do estatuto de utilidade pública”. Não obtivemos resposta a uma interpelação que realizámos ao novo Secretário de Estado do Desporto sobre esta matéria, mas o assunto é do interesse da modalidade e ainda de interesse público.

Alguns temas críticos

A duplicação dos prejuízos e do passivo corrente para valores muito críticos;

A indicação que existe, no Relatório de Auditoria, um controlo deficiente na FPJ;

O registo de despesas que não respeitam os requisitos legais de justificação das mesmas;

Despesas que não encontram enquadramento na missão da entidade;

Dúvidas sobre a capacidade da FPJ em se manter em continuidade;

Despesas realizadas pelo ex-presidente depois de destituído.

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