O desporto não é apolítico, temos uma palavra a dizer contra a extrema-direita

SOCIEDADE | ENTREVISTA – Stephane Nomis, Presidente da Federação Francesa de Judo e Disciplinas Associadas – FFJDA

A neutralidade do desporto nas questões políticas relevantes deixou de ser a regra dominante, pelo menos em França, e a prova desta afirmação está na iniciativa que vai decorrer no Instituto do Judo em Paris já amanhã ao fim da tarde.

Um encontro entre pessoas, entidades e instituições do desporto e da vida pública, como é o caso das Câmaras Municipais, será um ponto de partida para uma nova lógica de atuação que Stephane Nomis, Presidente da FFJDA, nos adiantou “Trata-se de um encontro do universo do desporto para tomar uma posição clara sobre o que está em causa em França neste momento. Não podemos ficar calados face a hipóteses que estão em cima da mesa de não existir um Programa para o desporto e para os Jogos Olímpicos e sobretudo que venham a surgir perturbações sérias ao valor da fraternidade e no sentido inclusivo que se encontra no centro das atividades desportivas”.

O Presidente da FFJDA que se junta a outros protagonistas do desporto como atletas do rugby, andebol, voleibol, boxe, jujitsu e judo e ainda a outros dirigentes das federações do ténis, voleibol, vela, triatlo e futebol, assume que a neutralidade política que é auto-imposta não tem sentido “não somos sub-homens sem direitos que devem calar-se. Não estamos a ser verdadeiramente representados e veja-se a cultura que consegue muito mais das iniciativas que conduz porque o faz fora desta lógica dita apolítica”.

O encontro de amanhã no Instituto do Judo tem por objetivo uma mobilização contra a extrema-direita e será um momento de debate e de reagrupamento de todos aqueles que colocam a fraternidade e os valores do desporto no campo dos princípios. A ameaça existe, é preciso agir e Nomis recorda que “temos consciência que há muitos problemas no desporto neste momento e que eles não irão desaparecer de um momento para o outro. Mas aqui trata-se de dizer STOP! à crescente espiral mortífera que entre outras coisas pretende indicar-nos quem é verdadeiramente francês e quem não o é”.

Como afirmam os subscritores da convocatória para o Encontro de amanhã pelas 18h00 “Nada nos faz sentir mais orgulhosos que ouvir os sons da Marselhesa pelo mundo fora” e o sentido patriótico está aqui associado aos valores da fraternidade que o desporto transporta, também ele com orgulho.

ENTREVISTA telefónica com Stephane Nomis | Conduzida por CR -JUdo Magazine

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