Denis Weisser otimista com o Campeonato do Mundo de Veteranos

O Campeonato do Mundo de Veteranos de Judo realiza-se em Lisboa entre 21 e 24 do próximo mês. Estão inscritos 338 competidores dos quais apenas 17 mulheres. A participação mais significativa vem dos países europeus, como era seria de esperar (217 atletas) e Portugal inscreveu, até à data, 14 judocas dos quais 13 homens e uma mulher. 

Denis Weisser, da Alemanha, é o Presidente da Comissão dos Veteranos da FIJ-Federação Internacional de Judo e um dirigente experiente que sabe interpretar os sinais que emergem dos clubes e dos diversos países. Na nossa procura de elementos sobre esta importante prova para Portugal e para a Federação Portuguesa de Judo formos identificando pormenores que poderíamos associar a um certo descontentamento face às condições de participação, que importa recordar remetem ainda para a excecionalidade que o Protocolo da FIJ estabelece para provas internacionais em tempos de pandemia. 

Entrevistámos Denis Weisser que nos acolheu com um largo sorriso e que rapidamente desfez os equívocos da situação.

Denis Weisser na entrevista com a Judo Magazine

 

JM Antes de falarmos desta edição de Lisboa, que se realiza já no próximo mês, julgo que seria interessante conhecermos a tua avaliação dos Campeonatos anteriores. O que é que tem vindo a marcar os Campeonatos do Mundo de Veteranos organizados pela FIJ? 

DW – Primeiro quero afirmar quanto prazer terei em estar em Lisboa muito brevemente e apesar de estarmos ainda numa situação de pandemia quero declarar que esta prova vem na altura certa apesar de sentirmos alguma tristeza por não decorrer nas condições normais e em maior conformidade com as expetativas dos veteranos quando se deslocam para competições pelo mundo fora. 

Mas é justo relembrar que o grupo inicial de veteranos que participava no Mundial era muito pequeno. Mas foi crescendo cada vez mais e hoje tornou-se uma atração em todo o mundo porque a sua dinâmica está associada a duas ideias-força: um judo praticado ao logo de toda a vida e um judo que proporciona novas experiências. 

A FIJ-Federação Internacional de Judo quer contrariar a ideia de que o judo, cuja prática tende a começar muito cedo, veja-se aos 5-6 anos, terminaria com o final da fase das competições do calendário desportivo. 

Hoje temos praticantes de todas as idades num conjunto alargado de atividades. Temos judocas com 80 anos que treinam regularmente. Esta dinâmica teve, antes da pandemia, em Marraquexe uma participação recorde de 1200 inscritos. E os veteranos quando se juntam representam toda a família do Judo em várias escalas: são treinadores, atletas, árbitros, patrocinadores e dirigentes de clubes que querem estar juntos e que valorizam muito a dimensão social e até a amizade. 

JME como vai ser Lisboa? Quais são os indicadores da participação e o que é que se espera deste Campeonato? 

Denis Weisser

Já estive em Lisboa uma vez, há uns anos atrás, e agora vai ser um regresso que muito anseio. Quanto à participação já temos três centenas de inscritos, mas grandes federações como a França e a Alemanha ainda não concluíram as suas indicações e ainda está a decorrer o período de inscrições. 

JMHá aqui uma fórmula que funciona bem que assenta na combinação entre o judo, as memórias socias e a amizade. É nisto que se baseia a iniciativa? 

DW – Perfeitamente. O judo é a paixão de todos e a presença de várias gerações nos eventos faz que as recordações, as situações do passado reganhem vida. É uma excelente forma de dar vida ao próprio judo. E a amizade é uma invariável nestes encontros. Velhos amigos que se reencontram, é sempre uma festa. 

JM Tivemos eco que em alguns países, como os da Grã-Bretanha e Espanha não estariam disponíveis para uma participação tão condicionada pela pandemia. Que a obrigação de ficar no hotel era incompatível com os objetivos sociais de gozar a cidade de Lisboa? 

DW – Eu compreendo todos aqueles que receiam pela sua saúde e por outros objetivos. Mas nós tivemos que manter um grande rigor no cumprimento do protocolo sanitário. Com a Comissão de Saúde da FIJ e com a FPJ assumimos que deveríamos exigir os dois testes à chegada, a permanência na bolha do hotel e as restantes regras estabelecidas. Mas no hotel as pessoas podem encontrar-se, conversar e partilhar bons momentos. E assim que a prova acabar todos são livres de realizar programas fora do hotel. Visitar a cidade, ir até à praia e fazer o que entenderem. 

Repito, compreendo que as pessoas não gostem de estar numa bolha e sabemos que os efeitos do Coronavírus são mais intensos nas pessoas com idade mais avançada e afeta menos os mais jovens. 

Também tenho consciência que os custos associados à participação sejam elevados. Os testes devem ser pagos, o hotel e a inscrição também e a própria viagem. Estamos sempre a falar de no mínimo entre 1000€ e 2000€, o que é muito porque muitas empresas estão com dificuldades e isto não é nada fácil. 

Mas compreenda-se que há muita gente que está interessada em vir e a desejar competir. Para além do mais Lisboa é uma bela cidade e muitos querem visitá-la. Os portugueses são muito hospitaleiros e o tempo é muito bom.  Para além do mais temos a expetativa que tudo será bem organizado. A Federação Portuguesa é conhecida por organizar muito bem as provas. Eu próprio acompanho pela Internet e verifico que está tudo no seu melhor.  

Assim mesmo que venham menos pessoas do que é habitual julgo ter sido uma boa decisão. Era importante dar continuidade e de certeza que numa próxima edição estaremos muitos mais.  

JMPor último seria interessante sabermos se, por força da pandemia, terão sido introduzidas inovações ou novas formas de funcionar na área mais específica dos veteranos que valha a pena sinalizar. 

DW – O impacto foi grande também no quadro de atividades dos veteranos. Não se podia treinar e registavam-se várias restrições. Claro que era possível utilizar um smartphone e participar em iniciativas online. Mas não é mesmo que ir a dojo e estar junto com os colegas e trabalhar em cooperação. E, depois do treino, tomar um bom duche e de seguida ir até à cervejaria e beber uma boa cerveja em conversa animada.  

Eu sou Presidente um clube na Baviera com uns 120 judocas e tivemos que viver com as dificuldades das interrupções totais e parciais dos treinos. Para todos nós o desejo centrava-se na reabertura do dojo. E claro recomeçar também não é fácil, quer para os mais idosos, mas também para os mais jovens. Mas estamos a aproximarmo-nos de uma situação que, em termos médios, nos garantem melhores condições de segurança para todos e devemos estar confiantes que voltaremos aos níveis anteriores da prática do judo brevemente. Uma coisa é certa não queremos que nenhum judoca seja lesado em consequência de não ter havido rigor na gestão desta matéria. Queremos ter bom judo, em boas condições de saúde para todos os praticantes. 

Quero reafirmar que todos aqueles e aquelas que puderem fazer o esforço de ultrapassar as dificuldades na vinda a Lisboa, que o façam. Só para terem uma ideia os árbitros pagam as suas próprias viagens, fazem esse esforço fantástico e recordo que vamos ter árbitros ao mais alto nível internacional, alguns deles arbitraram nos Jogos Olímpicos de Tóquio recentemente. Há, desta forma, uma grande solidariedade, não só entre veteranos, mas entre todos os grupos dos atores da modalidade como é o caso dos árbitros que acabei de mencionar. 

Estamos a trabalhar como uma verdadeira equipa com os membros da FIJ, da FPJ, dos árbitros e outros e estou muito otimista com o campeonato do Mundo que se realizará em Lisboa.

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