A prova mais bonita do calendário

NACIONAL | Campeonato Nacional de Equipas – Cadetes | Coimbra 5 de junho 2022

Joaquim Batista – Judo Clube Portimão | Nelson Trindade – Judo Clube Pragal / Almada | Renato Kobayashi – Sport União Sintrense

A apreciação é consensual e é partilhada praticamente por todos. A prova que coloca frente a frente equipas de jovens atletas cadetes encerra uma espécie de magia que é própria dos processos de transição. Já não estamos na idade da inocência, que os juvenis representam, nem na idade adulta que os juniores já assumem.

Trata-se de uma combinação de competitividade e de afetividade cujas fronteiras são difíceis de desenhar. Uma coisa é certa esta edição do Nacional de cadetes ficará para a história por várias razões e sobretudo permanecerá nas memórias dos jovens atletas e dos clubes como uma competição à qual valeu a pena ir.

A festa do judo

É difícil segmentar o fim-de-semana entre juvenis e cadetes. Às tantas foi o élan do conjunto alimentado pela presença em grande escala dos clubes oriundos de diversas regiões do país que esteve na base do sucesso. A prova deste interligação pode ser encontrada nas “claques” dos clubes na prova de domingo passado. Alguns clubes optaram por não fazer regressar no final de sábado os seus atletas mais jovens e compareceram em força no pavilhão para incentivar os colegas de equipa do escalão superior.

“Tivemos para além dos juvenis, toda a equipa de juniores do Sport União Sintrense e um grupo significativo de pais que vieram da região de Lisboa, a apoiar os cadetes e foi uma grande festa do judo” foi a forma que Renato Kobayashi encontrou para destacar esta vertente da prova que se relaciona com a presença de público e com a popularidade do judo que esteve fechada entre quatro paredes nos últimos dois anos.

Concentrações são positivas

Para Nelson Trindade, treinador do Judo Clube do Pragal/Almada e também Diretor Técnico Distrital em Setúbal, tratou-se inquestionavelmente de um êxito no plano da notoriedade da modalidade “A Federação Portuguesa de Judo está a apostar bem e estas provas concentradas, com bastante gente, acabam por valorizar o judo”.

A prova em si revelou que nos escalões de formação os diversos clubes acabam por ter oportunidades que nos níveis superiores só são acessíveis a clubes com grande capacidade de investimento. Mas esta possibilidade é absolutamente determinante para a dinâmica local da modalidade.

O Sport União Sintrense venceu as duas provas de equipas, masculina e feminina, o Judo Clube de Portimão conquistou a prata na primeira e o Judo Clube Pragal/Almada na segunda.

Espírito de equipa

Para Joaquim Batista, treinador e dirigente do clube algarvio, o resultado alcançado foi memorável sobretudo porque “os reforços que tivemos que incorporar, em masculinos do Judo Clube de Portugal e do Judo Clube do Algarve, encaixaram-se à perfeição no espírito da equipa. Para quem nos conhece sabe que nós não queremos competir a qualquer preço. Precisamos de sentir um espírito de equipa saudável, e foi o que aconteceu. Como é óbvio tratou-se de uma experiência fora do comum para os nossos jovens atletas”.

Mais mérito que sorte

Já Renato Kobayashi destacou o mérito que resulta de um trabalho de formação de longa duração e do desenvolvimento de condições favoráveis aos competidores “No dia da prova o judo praticado é o mais importante mas antes há todo um quadro organizado que passa por apoios no plano físico e psicológico que não pode ser minimizado. Por exemplo nós temos uma grande preocupação na gestão das lesões desportivas. Antecipamos e agimos em cima da hora. Isso faz que tenhamos um número muito reduzido de atletas lesionados. Da mesma forma, o acompanhamento que realizamos aos atletas é sistemático e permanente. Entendemos que ninguém deve ficar para trás. E estas vertentes são essenciais na construção do mérito nos resultados alcançados. Claro o fator sorte também existe, mas ele pode ser contornado pelo apoio e pelo trabalho que é desenvolvido”. Assim explicitou o treinador principal do Sport União Sintrense a vitória inédita, porque simultânea no mesmo fim-de-semana, no nacional de Equipas masculinos e femininos.

Estrangeiros nos escalões de formação

Na avaliação que Nelson Trindade realizou de forma sintética prevaleceu a valorização da composição das equipas portuguesas que não se reforçam com atletas estrangeiros “não se percebe muito bem que em escalões de formação venham competidores de outros países, que terminada a prova regressam aos seus países tendo ocupado o lugar de um ou uma atleta que poderia ter encontrado mais uma oportunidade para evoluir. Estamos perante uma legião estrangeira que não beneficia o judo nacional”.

Supermotivação

Joaquim Batista relembrou “o espírito na equipa era vencedor mas admitia-se que as hipóteses seriam reduzidas. Mas depois de ultrapassar o Judo Clube de Lisboa e a Lusófona, chegámos à conclusão que era a própria dinâmica da equipa e a supermotivação que estavam a abrir caminho para a final”

Segundo a treinador algarvio a margem na prova feminina foi mais reduzida e não tiveram a possibilidade de ir muito longe na fase antes do bloco das finais.

As autarquias e a relação com o judo

Em complemento à avaliação de uma prova que acabou por ter um bom impacto na região centro do país Nelson Trindade reafirma a sua deceção perante a atitude das autarquias locais que mantêm, apesar do judo ser um desporto olímpico com grande importância para os resultados do país, um distanciamento excessivo face às necessidades dos clubes a nível local e uma falta de empenhamento para resolver situações complicadas que seria normal que tratassem com mais dedicação e até investimento. “No caso concreto o nosso estágio de verão, por razões de alojamento indisponível, não vai ter lugar o que é lamentável”.

Vitórias claras

Para finalizar Renato Kobayashi enfatizou que no plano competitivo as vitórias do Sintrense, sobre o Sporting Clube de Portugal e na final sobre o Judo Clube de Portimão, por 4-1 foram claras e não deixam margem para dúvidas “Foi um trabalho cujo mérito é de uma equipa muito grande, a começar pelos atletas, mas que integra vários treinadores, pais dos alunos e um conjunto de profissionais que fazem do Sport União Sintrense o clube mais forte do país em juvenis, cadetes e juniores. É verdade que na prova feminina o nosso opositor principal, o Judo Clube de Pragal/Almada, deu muita luta e vencemos por 3-2, por duas vezes, sendo certo que em combates que tínhamos ganhado acabámos por perder na segunda ronda e vice versa. Foi uma disputa de título muito exigente que as nossas atletas acabaram por vencer a justo título” concluiu.

RESULTADOS

MASCULINOS

1º Sport União Sintrense

2º Judo Clube de Portimão

3º Universidade Lusófona Humanidades e Tecnologias

3º Sporting Clube de Portugal

FEMININOS

1º  Sport União Sintrense

2º Judo Clube Pragal/Almada

3º UNBREAKABLE FORCE-Associação Desportiva e Cultural

3º Sport Algés e Dafundo

Pódio da prova feminina

Pódio da prova masculina

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