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JUDO MAGAZINE | 10 de março 2021 | Jovens Repórteres do Judo

por Luís Carqueijeiro, Marinha Grande

Neste período de confinamento, em que temos tempo para tudo e para nada, ao mesmo tempo, dou por mim a pensar se as horas que passo por semana no dojo me trazem algo mais do que aptidão física.

Sendo que eu, Luís Carqueijeiro, já pratico judo desde os quatro anos no Judo Clube da Marinha Grande, se somar todas as horas de treino, chegarei a um número com o qual me vou admirar.

Mas será que o judo apenas me permitiu a possibilidade de praticar um desporto?

Embora não seja um desporto muito divulgado, temos, no entanto, campeões do mundo, como é o caso do Jorge Fonseca, o judo é um desporto que desenvolve nos seus atletas os valores e a sua inteligência.

Começando pela inteligência, um bom atleta de judo utiliza as características técnico-táticas do adversário em seu proveito, tendo para tal que desenvolver a sua capacidade de resiliência, isto é, a sua capacidade de reagir rapidamente face à ação do adversário e, de preferência, utilizar os movimentos do adversário para seu benefício.

Por exemplo, quando o adversário puxa o meu kimono para executar um movimento de imobilização, se eu conseguir ler a ação do atleta, antes de ser executada a técnica, eu posso aproveitar a força dele a meu favor. Isto não é ser inteligente?

Atrás referi também, que o judo me ajuda a ser uma melhor pessoa, porque eu posso aprender a executar as técnicas de uma forma exemplar, mas se for um atleta frio e sem valores…… serei penalizado!

O código moral deste desporto deveria ser o mesmo para qualquer cidadão que viva em sociedade. Mas num judoca, a amizade, o autocontrolo, a coragem, a cortesia, a honra, a modéstia, a sinceridade e o respeito são aspetos que têm que ser visíveis.

Então, volto aos meus pensamentos iniciais:

 Será que os princípios do judo me ajudam nesta fase em que estou “preso” em casa, e passo os dias a olhar para o ecrã do computador?

Na realidade, não tenho dúvidas na resposta a esta questão. Nesta pandemia, como em outras situações menos boas em que me deparei e que, decerto, ainda vou viver, tenho de ser inteligente e conseguir ver o que de bom e de mau as vivências me trazem. Este tempo de confinamento permitiu-me passar mais tempo com a família que é o que realmente tem valor, assim como a valorizar as ações das pessoas de quem mais gostamos.

Assim como em combate, tenho que ser rápido a reagir ao adversário, na pandemia todos temos de ser resilientes.

Por fim, há a parte social. A pandemia obrigou-nos a mudar alguns hábitos nas nossas vidas, e por isso, temos que ter respeito pela sociedade em que vivemos: se é para estar em casa, em casa ficamos; se é para usar máscara quando temos que sair, usamos máscara corretamente, entre outras situações que poderia enumerar. Por isso a ética desportiva que se desenvolve na prática de um desporto torna os desportistas melhores seres humanos e, enquanto cidadãos de uma comunidade, temos uma “ética social” que nos permite vivermos sem conflitos.

Assim, para mim torna-se claro que a ética desportiva e o código moral do judo me ajudam a vencer esta pandemia.

Estes dois pilares de um judoca tornam-me melhor ser humano, nesta situação pandémica, e em todos os momentos da minha vida, ajudando-me a ser feliz.

Luis Carqueijeiro | Jovem Repórter do Judo | Marinha Grande, jovem judoca do Judo Clube da Marinha Grande

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